Aleivosias

    Maria Lucia Rosseti

    Martins Fontes
    2003
    196 páginas
    6h 32m
    ISBN-13: 9788533602076
    Português Brasileiro

    Em oito contos, de tom e conteúdo bastante distintos, mas em que o sexo está na origem de todas as situações, Ana Rossetti, mais que descrever, sugere-nos algumas das muitas experiências sexuais e eróticas que qualquer um de nós, gente comum, poderia viver, ou pode ter vivido, naqueles momentos em que as paixões extravasam e que nos levam insidiosamente ao ódio, à repugnância, à vergonha, à violência, ao ressentimento, e, sobretudo, ao ciúme.

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    Luiz Pereira Júnior06/08/2023Resenhou um livro
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    Oito tons da mesma coisa

    Uma das primeiras ações que fiz ao conseguir uma conexão (discada) de internet foi procurar sebos online. Então, um mundo de possíveis compras se abriu e eu fiz uma longa lista de livros que desejava comprar ao longo dos anos. Alguns deles eram obras que eu havia lido na infância em alguma biblioteca e que agora desejava ter um exemplar para mim (o leitor egoísta, de que tanto falam e do qual confesso ser um exemplo perfeito); outras obras eram de autores preferidos de quem eu desejava completar a coleção – inclusive algumas outras razões, inclusive as menos intelectuais, tais como uma capa ou um título de que gostei. E incluí e comprei “Aleivosias”, de Ana Rossetti, justamente por esses últimos critérios. Apenas e tão somente pelo título. Corri o risco e, se não o tivesse comprado, sinceramente, não faria diferença nenhuma em minha vida de leitor. “Aleivosias” é um composto de oito contos, sobre as peripécias sexuais de algumas mulheres e homens, escrito em uma linguagem rebuscada, barroca, mas todos parecendo ter os mesmos personagens e as mesmas histórias sobre o mesmo tema: o prazer sexual. O que me veio à cabeça? “A autora deve ter quebrado a cabeça procurando em dicionários um monte de palavras para descrever as mesmas coisas, as mesmas cenas, as mesmas situações...” Certos contos parecem ter sido escritos apenas para originar escândalo: a descoberta do prazer infantil, a homossexualidade em ambientes religiosos, uma relação forçada beirando o estupro (e é mesmo), enfim, um certo tom de brincadeira deslumbrada sobre alguns dos piores aspectos do ser humano. Outros não passam de visões banalizadas do mesmo tema: a mulher que nunca conseguiu ter satisfação sexual ou que, se já a teve, começa a perdê-la. Vale a pena? Quem sou eu para dizer que não, mas imagine a autora de “Cinquenta tons de cinza” tentando misturar a linguagem de Góngora (principalmente no conto “Et ne nos inducas”) com a linguagem mais informal (sem palavrões) dos autores contemporâneos... É para você?

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