A cor do invisível -

    Mario Quintana

    Globo
    1989
    126 páginas
    4h 12m
    ISBN-10: 852500667X
    Português Brasileiro

    "O poema é uma garrafa de náufrago jogada ao mar. Que a encontra salva-se a si mesmo", decreta Mario Quintana em A cor do invisível. Tais versos expressam o trabalho consistente de Quintana, que soube, sem dúvida, salvar-se. Neste livro, mais uma garrafa encontrada na praia, o poeta perscruta sua memória e seu imaginário, costura cada um de seus poemas com o fio do tempo - reúne, travesso, sonetos de adolescência, rouba pequenos versos de livros anteriores, registra novas versões, surpreende com inéditos extremamente líricos -, e o resultado é um só: uma tessitura lúcida e ingênua, prosaica e metafísica, comprometida com a tradição modernista e livre como um anjo. Revela-se enfim Mario Quintana, que ultrapassa, corajoso, os oitenta anos? Lembramos que os poetas raramente escrevem biografias convencionais, mas deixam-se conhecer por sua obra, o poema, "essa estranha máscara, mais verdadeira do que a própria face".

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    Juliana Xavier22/01/2013Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A cor do invisível

    Gente, quem sou eu para falar sobre Mário Quintana? Nunca resenhei poesia antes e não tenho a mínima ideia de como fazer isso. Mas é uma das etapas do Desafio, e eu não desistiria de completá-lo agora. Sei que peguei o livro pensando em ler aos poucos. Mas eu realmente devoro livros, e eu realmente amo Quintana, então o resultado foi ler o livro do início ao fim de uma só vez. Com algumas paradas para pensar, para sorrir, para me deliciar com as palavras. Foi Quintana quem me fez gostar de poesia. Antes de conhecê-lo, confesso que o gênero não me atraía muito. Mas encontrar poucas frases dele por aí foi o suficiente para que eu me apaixonasse pelo poeta. "S.O.S. O poema é uma garrafa de náufrago jogada ao mar. Quem a encontra Salva-se a si mesmo..." Ele me faz flutuar. Me sinto mais leve e mais feliz ao ler qualquer coisa que ele tenha escrito. "Como é que tens de súbito esta serenidade De quem recebesse uma hóstia em pleno inferno. Deve ser de versos que leste e nem te lembras, De telas, de estátuas que viste, De um sorriso esquecido..." Tem como não sorrir? Ele nos faz refletir sobre o amor... "A letra e a música Quando nos encontramos Dizemo-nos sempre as mesmas palavras que todos os amantes dizem... Mas que nos importa que as nossas palavras sejam as mesmas de sempre? A música é outra!" Sobre a vida e as oportunidades que ela nos apresenta... sobre a maravilha de ter uma segunda chance. "Os rios Há na vida tanta coisa, Tanta coisa e um só olhar! Toda a tristeza dos rios É não poderem parar..." Sobre a morte (ou sobre a transformação da vida...). "Inscrição para um portão de cemitério Na mesma pedra se encontram, Conforme o povo traduz, Quando se nasce, - uma estrela, Quando se morre, - uma cruz. Mas quantos que aqui repousam Hão de emendar-nos assim: "Ponham-me a cruz no princípio... E a luz da estrela no fim!" Enfim, Quintana é para todos os momentos. É para deixar na cabeceira da cama e ler sempre que precisar de um pouco de paz e luz. É poesia que faz a gente se sentir vivo, feliz e agradecido. "Outro retrato Ela era branca branca branca Dessa brancura que não se usa mais... Mas tinha a alma furta-cor." Com essa postagem, chega ao fim minha participação no Desafio Literário deste ano. Ainda não me decidi quanto à participação no ano que vem. Eu gostei bastante, mas tenho tantos livros na fila para ler que não sei se inventar mais leituras é realmente uma boa ideia. Espero que tenham gostado de se aventurar comigo por temas que não costumo ler! E que esse sopro de poesia tenha lhes feito algum bem! =) "Porque o tempo é uma invenção da morte: não o conhece a vida - a verdadeira - em que basta um momento de poesia para nos dar a eternidade inteira." Postado originalmente em: http://entrepalcoselivros.blogspot.com.br/2012/12/dl-2012-resenha-cor-do-invisivel.html

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