X-Men sempre traz histórias com um pano de fundo crítico à história humana e às condições do momento atual. Chris Claremont foi um dos roteiristas que melhor entendeu a proposta dos mutantes e os alçou a um lugar de aclamação na literatura. Aqui temos dois clássicos compilados numa edição histórica.
"Dias de um Futuro Esquecido" é uma história menor e mais simples que abraça a ficção científica para falar sobre a os impactos de se permitir que a barbárie se instale em governos. Não só uma introdução perfeita e empolgante para Kitty Pride, mas uma alfinetada ardida no discurso supremacista norte-americano que em muito se assemelha ao nazismo. Seu impacto, na época, foi intenso devido à inusitada abordagem da viagem no tempo. Hoje, vale como um comentário social atemporal.
Mas é com "Deus Ama, o Homem Mata" que a síntese dos X-Men é escancarada. Uma história sobre religiosos extremistas que declaram guerra a uma raça e, logo na primeira página, assassinam crianças "em nome de Deus". É atual, necessária, urgente, brilhantemente escrita, magistralmente desenhada e merecidamente clássica. Diálogos precisos, retratos nada caricatos de políticos e religiosos supremacistas e argumentos incisivos sobre como racismo não deve ser um debate, simplesmente não faz sentido existir. Clássico instantâneo que, infelizmente, não deixará de ser necessário tão cedo.
Chris Claremont é gênio. Sem mais. Isso aqui é X-Men!