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    Os Olhos do Céu (Série Antecipação #27) - Eye in the Sky

    Philip K. Dick

    Galeria Panorama
    1969
    271 páginas
    9h 2m
    ISBN-1: 0
    Português
    4
    149 avaliações
    Leram202Lendo8Querem409Relendo0Abandonos6Resenhas34
    Favoritos4Desejados409Avaliaram149

    "Eye in the Sky" (1957) '-' Um dos primeiros livros de PKD e, ainda hoje, entre seus melhores trabalhos, abordando um tema que acompanhou praticamente toda sua obra. Um grupo de pessoas encontra-se próximo ao aparelho conhecido como defletor de raios protônicos, quando um acidente faz com que percam a consciência. Toda a história desenrola-se, então, durante o período em que estiveram inconscientes, até a chegada do socorro. Cada uma delas passa a viver experiências completas em mundos paralelos, criados a partir da imaginação de cada uma delas. Nesses mundos são introduzidas alterações a partir das características da personalidade de cada uma, com suas neuroses e paranoias tomando forma real para quem vive a experiência, de tal forma que as pessoas podem “viver” a fantasia de outra. A pessoa que está imaginando ou criando aquele universo específico surge quase como um deus, com poderes ilimitados e, para poderem sair da fantasia de outro, os demais personagens precisam convencê-lo a desistir de sua criação. E mais, as ações físicas que sofrem no universo paralelo criado têm repercussão em seus corpos, ainda deitados no local do acidente. A existência ou não de uma divisão entre o que é real e o imaginário ou ilusório, entre o falso e a cópia, seria tratado de maneiras diferentes ao longo da obra de PKD, mas este permanece como um dos momentos mais claros na exploração dessas ideias. ==== https://en.wikipedia.org/wiki/Eye_in_the_Sky_(novel)

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    Sidney Danillo de Moraes Lopes picture
    Sidney Danillo de Moraes Lopes05/03/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    O Olho No Céu Vela Por Ti

    O ano era 1955. O Macartismo estava à todo vapor, o "medo vermelho" estava instalado nas mentes das autoridades estadounidenses, criando um período moderno de caça às bruxas. Era um período bastante conturbado. Em um certo dia de inverno do ano citado, Philip K. Dick estava sozinho em sua casa escutando música clássica, quando recebe a visita de uma dupla que se identifica como agentes do FBI. Eles estavam ali para investigar a esposa de Philip, Kleo Mini, já que esta praticava atividades "supeitas" como ser filiada ao Partido Comunista, assinar certas petições e etc. O casal passa a receber a visita constante da dupla de agentes e, em determinado momento, Philip passa a ter uma espécie de amizade com um deles. Certo dia, PKD argumenta com seu amigo agente que se sua esposa Kleo fosse de fato comunista ela não teria praticado tais "atividades suspeitas" de forma tão aberta, que ela era apenas uma mulher culta e interessada em diversos assuntos e que os peixes grandes provavelmente se escondiam atrás de cargos de poder na sociedade americana. Sem muita convicção, seu amigo diz que o FBI precisava se pautar nas ações dos cidadãos em si, que não havia como estar na cabeça dos comunistas. Isso fez Philip pensar: como seria estar dentro da cabeça de outra pessoa? De um fanático religioso ou de uma pessoa psicótica, por exemplo? Segundo consta na biografia "Eu estou vivo, vocês estão mortos": Na mesma noite, ele digitou estas linhas, um notável apanhado daquilo que, em ficção científica, é capaz de dissuadir parte importante do público cultivado a se arriscar até a página seguinte: "Em 2 de outubro de 1959 [o ano atual era 1956, tratava-se de uma antecipação a curtíssimo prazol], o defletor do feixe de protons do Bevatron de Belmont sofreu uma avaria: um arco de 6 milhões de volts disparou rumo ao teto da sala, queimando tudo o que estava no caminho, em especial a plataforma de observação sobre a qual estavam oito pessoas. Estas caíram no chão e nele permaneceram, feridas ou mergulhadas no coma até que o campo magnético foi interrompido e as radiações mais rigorosas foram parcialmente reabsorvidas" (...).E, no ano de 1957, PKD lançava "Olho no Céu", tendo esse evento com o FBI como base para o desenvolvimento de mais um roteiro brilhante. O livro acompanha a historia de Jack Hamilton, um técnico em eletrônica que trabalha em uma empresa que fabrica armamento bélico para o governo. Acontece que ele acaba sendo mandado embora quando Charlie McFeyffe, amigo pessoal de Hamilton e chefe de segurança da empresa, acusa a esposa do nosso protagonista, Marsha Hamilton, de ser simpatizante do Partido Comunista, o que oferecia risco à segurança da empresa. No mesmo dia, McFeyffe acompanha os Hamilton (uma forma de minimizar os danos com seu "amigo") a uma visita ao Bevatron, um defletor de prótons (seja lá o que isso signifique) que é aberto à visitações. Um acidente acontece no local, sendo que o trio e mais cinco pessoas acabam no meio dos destroços da instalação do Bevatron: Bill Laws, um doutor em física que só conseguiu trabalho como guia turistico; Arthur Sylvester, um militar aposentado; Edith Pritchet, uma burguesa amante das artes, juntamente com seu filho; Joan Reiss, uma mulher com fortes traços paranóicos. Em resumo, o acidente faz com que essas oito pessoas passem a transitar por quatro realidades diferentes, cada uma moldada pela mente de um integrante do grupo citado: uma realidade onde os milagres existem de fato e são corriqueiros e o contato com Deus é real e direto (é nesta realidade que aparece o "olho no céu" do titulo); um mundo onde classes inteiras de pessoas e objetos são eliminados da existência simplesmente por não serem agradáveis; outro onde todos os objetos são um risco à integridade física e atacam as pessoas; e por fim, um mundo onde os EUA são uma caricatura segundo a visão de comunistas extremos. Ou seja, hoje o conceito de Multiverso está na moda, mas o PKD já escrevia sobre isso em 1956!! É normal que os livros do autor possuam certas doses de sarcasmo e crítica, mas aqui ele enfia o dedo em diversas feridas, de forma direta e bem menos sutil que nos outros livros dele que li. Os alvos da escrita ácida de Dick aqui são: o fanatismo religioso, o desdém pela ciência, o macartismo, o comunismo e, principalmente, o preconceito racial. O autor até já tratou desse tema, mas sempre de forma indireta e sutil. Mas aqui não, as críticas são diretas, com todas as letras. Há uma sacada de gênio aqui ao colocar lado a lado visões extremas de direita e esquerda com a psicose, colocando tudo no mesmo patamar: o patamar de doenças mentais, de pensamentos nocivos ao indivíduo e à própria sociedade. O que me parece é que o PKD diz aqui o seguinte: olhem o terror que o mundo seria se fosse governado de forma implacável somente por uma única forma de pensamento, sem debate. Nós vimos no mundo real o que isso acarreta: temos os regimes nazista de Hitler, Comunista de Stalin e recentemente a autocracia de Putin na Rússia ou a imposição extrema da religião no Oriente Médio. O resultado de um local governado por apenas uma única visão não tem outro caminho senão o do retrocesso, da supressão de direitos e do derramamento de sangue. Essa é a mensagem mais poderosa desse livro para mim! E, para os chatos de plantão que não gostam de finais abertos: de forma bastante sutil, a história acaba de forma ambígua, tal qual o peão girando no fim do filme Inception. Só que o peão aqui é... uma abelha !! TS: Sir Lord Baltimore - Kingdom Come (1970)

    203 curtidas

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    • 5 estrelas22%
    • 4 estrelas44%
    • 3 estrelas30%
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    • 1 estrelas1%
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    Philip Kindred Dick

    Philip Kindred Dick, também conhecido pelas iniciais PKD, foi um escritor americano de ficção científica que alterou profundamente este gênero literário. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de várias das suas novelas ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público, sendo aclamado tanto pelo público como pela crítica e tornando-se um ícone da contracultura. Sua obra é marcada por fantasmagóricas histórias de paranóia e primam pela originalidade. Explorou em muitas das suas histórias temas como a realidade e a humanidade, utilizando normalmente como personagens pessoas comuns e não heróis galácticos comumente associados a obras do gênero. Sua obra mais conhecida em vida foi <i>O Homem no Castelo Alto</i> (1961), vencedor do Prêmio Hugo de ficção científica. Apesar de ter tido pouco reconhecimento em vida, a adaptação de várias das suas novelas ao cinema acabou por tornar a sua obra conhecida de um vasto público, sendo aclamado tanto pelo público como pela crítica. Filho de um funcionário do governo federal, a sua irmã gémea morreu quase à nascença. Os seus pais divorciaram-se quando Philip contava quatro anos de idade. Acompanhou a mãe na sua mudança para a Califórnia, onde estudou, ingressando na Escola Secundária de Berkeley, onde permaneceu até 1945. Matriculou-se então na Universidade da Califórnia, onde estudou Filosofia e Alemão, abandonando o curso para trabalhar como disc-jockey numa emissora de rádio, mantendo, ao mesmo tempo, uma loja discográfica. Começou a escrever nesta época, publicando o seu primeiro conto de ficção científica na revista Planet Stories. Chegou a terminar alguns romances de índole autobiográfica, mas não conseguiu encontrar quem os editasse. Decidiu portanto dedicar-se inteiramente à ficção científica, convicto de que este género poderia melhor abarcar as suas especulações filosóficas. A sua primeira obra publicada foi Solar Lottery de 1955. A ação da obra decorria no século XXIII, num tempo em que a democracia como forma de eleição foi substituída por uma sistema de loteria que decide as funções dos indivíduos na sociedade. No entanto, vem-se a descobrir que a sorte está viciada. Após o aparecimento de obras como Eye In The Sky de 1956, Dr Futurity de 1960 e Vulcan's Hammer de 1960, Philip K. Dick conseguiu ser reconhecido como escritor, sobretudo com a publicação de The Man In The High Castle (O Homem do Castelo Alto) de 1962. O romance recriava um mundo em que a Alemanha e o Japão haviam vencido a Segunda Guerra Mundial. Por ter mantido relações com o Partido Comunista norte-americano, o escritor foi alvo de cuidadosas investigações por parte do FBI e dos serviços secretos da Força Aérea dos EUA. A visão quase paranóica da realidade que Dick demonstrou em muitos dos seus trabalhos não seria portanto de todo infundada. Inspirando-se em ideias do Budismo, Cabalismo, Gnosticismo e outras doutrinas herméticas, e combinando-as com certos aspectos das novas crenças na parapsicologia, extraterrestres e percepção extra-sensorial, o autor criou mundos alternativos nos quais acabou eventualmente por julgar viver. Consumindo drogas em excesso, alegou ter sido contactado em 1974 por uma inteligência alienígena. PKD explorou em muitas das suas obras temas como a realidade e a humanidade, utilizando normalmente como personagens pessoas comuns e não os normais heróis galácticos de outras obras do gênero. Precursor do gênero cyberpunk, o seu livro Do Androids Dream of Electric Sheep? (Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas?) inspirou o filme Blade Runner que, já perto da sua morte por um AVC (Acidente Vascular Cerebral), serviu como introdução a Hollywood e levou a que outras obras suas fossem adaptadas ao cinema. Os filmes Minority Report: A Nova Lei, O Vingador do Futuro, Screamers: Assassinos Cibernéticos, O Pagamento, Impostor, O Vidente, Os Agentes do Destino e O Homem Duplo, também são baseados em novelas ou contos de Dick.

    162 Livros
    939 Seguidores
    Califórnia, Estados Unidos

    Philip Kindred Dick