Religião como tradução - Missionários, Tupi e Tapuia no Brasil colonial

    Cristina Pompa

    EDUSC
    2003
    444 páginas
    14h 48m
    ISBN-10: 8574602132
    Português Brasileiro

    Na imagem da sociedade colonial construída pela antropologia e pela historiografia tradicionais, índios e evangelizadores aparecem quase sempre como esferas opostas e irredutíveis. Este livro se insere na trilha das pesquisas que procuram reescrever a história da América Indígena, mostrando um mundo de mudanças, adaptações e negociações, de constantes redefinições identitárias, em oposição aos estudos que prevaleceram no mundo acadêmico até há poucos anos. Cristina Pompa, Doutora em Ciências Sociais pela Unicamp e pesquisadora do Cebrap, propõe uma releitura da história da evangelização no Brasil colonial, procurando entender os múltiplos sentidos da conversão entre os povos indígenas. Alinha-se à vertente contemporânea dos estudos antropológicos que buscam uma revisão do paradigma da conquista colonial, que se traduz por oposições binárias entre vencedores e vencidos, dominantes e dominados e "deixa para os povos nativos apenas dois papéis: os de vítimas de aniquilação ou de mártires da conservação de sua cultura". Cristina ressalta que "as fontes históricas sobre o Brasil colonial revelam a dialética do encontro entre índios e missionários em que, de um e de outro lado, houve um constante trabalho de transformação no plano das práticas e dos símbolos, as primeiras veiculando os segundos e sendo, ao mesmo tempo, determinadas por estes. Este processo tem início nos primeiros contatos entre missionários e Tupinambá do litoral, no século XVI, mas não se esgota com a virada do século, onde termina a maioria dos estudos, com a suposta extinção ou assimilação dos Tupinambá. Esta história continua, sob outras formas, em outros lugares e com outros índios: o que proponho aqui é o estudo desse percurso no panorama das pesquisas sobre o mundo indigenista colonial...". Religião como tradução recebeu o Prêmio de melhor tese de doutorado no Concurso CNPq-ANPOCS de Obras Científicas e Teses Universitárias em Ciências Sociais, edição 2002.

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