Como Distinguir o Bajulador do Amigo - Como Distinguir o Bajulador do amigo

    Plutarco

    Edipro
    2015
    128 páginas
    4h 16m
    ISBN-13: 9788572838327
    Português Brasileiro

    Com reflexões universais, que ultrapassam o tempo e as fronteiras, esta obra trata da sutil diferença entre o bajulador e o amigo. Plutarco instrui seu leitor sobre os malefícios do bajulador, que, pela ilusão da amizade, por ser divertido e simpático, traz àquele que escolhe como alvo de sua bajulação. Plutarco demonstra que existem vários modos de distingui-lo de um amigo, pois ele sabe imitar seus sentimentos e suas ações. O bajulador está presente somente nos momentos de prosperidade e de alegria e é incapaz de ajudar sem cobrar um alto preço, pois se aproxima para usufruir da riqueza do seu alvo, diferentemente do amigo, que está presente em todas as ocasiões.

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    Tiago Nunes Braz25/06/2023Resenhou um livro
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    Como distinguir o bajulador do amigo, de Plutarco

    "Médico dos outros, quando tu mesmo estás coberto de chagas" Plutarco foi um importante historiador, biógrafo e filósofo grego, que escreveu a Moralia - obra composta de 78 livros sobre temas morais como felicidade e a educação das crianças. A obra tem um título autoevidente: Plutarco mostra, de forma prática, como se pode diferenciar um bajulador de um amigo - tema certamente útil para a alta sociedade grega, que poderia cometer o erro de se deixar enganar por aproveitadores que fingiam amizade, mas que eram interesseiros. É evidente que, para uma pessoa de classe média do século XXI, muito do que Plutarco fala não é exatamente proveitoso; porém, acredito ser um erro ler livros deste tipo com o intuito de buscar algo pragmático, imediatamente aplicável. No entanto, do ponto de vista histórico, é extremamente interessante descobrir como a sociedade grega via este tipo de problema - um bastante "real" - , e certamente o leitor se deparará com passagens que o farão refletir sobre situações da própria vida. Primeiramente, algo que se deve ter em mente ao iniciar a leitura é a própria diferença do conceito de "amizade" que temos hoje e qual era o significado na época. Atualmente, a "amizade" requer afeto, algo próximo de "amor" nutrido por outra pessoa; na sociedade greco-romana, isso não era necessário, e tinha um caráter de relação de interesses. Mesmo com essa descrição que pode soar pejorativa, com uma possível "troca de favores" que poderia ocorrer nessa relação, senti na leitura mais aproximação com nosso conceito afetuoso. Plutarco diz que "o princípio da amizade é a semelhança nos costumes e nos hábitos, e completamente se compraz com as mesmas coisas e evita as mesmas coisas, que, em primeiro lugar, conduzem-nos e convergem para o mesmo lugar, pela semelhança dos sentimentos." Mesmo sem o afeto que define a amizade de nossa época, parece-me que há mais semelhanças que diferenças entre os dois conceitos. Após estabelecer a definição do bajulador e do amigo, Plutarco passa a fornecer conselhos sobre como diferenciá-los. Embora sejam semelhantes em aspectos como os elogios e o prazer que causam com sua companhia, o autor adverte que uma maneira de diferenciá-los é notar que o bajulador elogia indiscriminadamente qualquer ação do indivíduo, sem levar em consideração se é uma ação boa ou má, ou se seus resultados a longo prazo serão favoráveis ou não. Isto é, ele sempre concordará, independentemente da ideia. E um teste que Plutarco sugere é o de perguntar a opinião do bajulador suspeito sobre uma ideia propositalmente esdrúxula, que qualquer pessoa em sã consciência acharia loucura. Em outro momento, Plutarco também discute sobre como evitar que tais pessoas apareçam e exerçam influência negativa sobre nossas vidas. Comparados a parasitas, os bajuladores encontram terreno fértil quando o amor-próprio do bajulado já é desmedido. Desta forma, exercitar a moderação do amor-próprio e a humildade pode ajudar a impedir o surgimento de bajuladores à nossa volta. O livro está estruturado em duas partes principais: a primeira discorre sobre o bajulador, abordando suas características, sua habilidade em se disfaçar como amigo e como diferenciá-lo deste. Na segunda parte, Plutarco explora a importância da franqueza, uma característica fundamental para um bom amigo, mas que está ausente no bajulador. É advertir o outro quando está se afastando da boa ação, mas de forma adequada, sem censurá-lo, e evitar fazê-lo na frente de outras pessoas. Plutarco dá exemplos práticos, tirados de outros livros da época - de Platão, Xenofonte, tragédias e comédias, além de Homero - para elucidar o que quer dizer exatamente com uma franqueza adequada. Sobre o livro em si, considerei uma leitura difícil, apesar dos conceitos serem relativamente fáceis e palpáveis. As frases são por vezes difíceis de entender: fiquei em dúvida se pelo próprio modo como o autor formula o seu pensamento ou se pela tradução. De toda forma, com atenção aos detalhes foi possível elucidar alguns trechos a princípio ininteligíveis - mas não todos. Considero uma leitura interessante, com aspectos históricos e morais que provocam reflexão no leitor, como o controle do amor-próprio, a importância de ter não só pessoas que elogiam à nossa volta, mas também os que falam a verdade; e de que modo se deve ser franco, evitando a censura das ações dos outros sem que isso os leve a uma ação melhor. Não se deve ler com um intento pragmático, como provavelmente seria o objetivo primeiro da leitura, na época; assim, parecerá inútil, apesar de alguns pontos de maior iluminação. Não; lê-se, hoje, com uma perspectiva histórica e moral, de como esta sociedade - ao menos um indivíduo influente dela - lidava com o problema do "puxa-saco", e como esse modo de lidar pode nos ajudar a lidarmos com os nossos próprios.

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