Se Liga No Som (Agenda Brasileira) - As Transformações do Rap No Brasil

    Ricardo Teperman

    Companhia das Letras(selo Claro Enigma)
    2015
    176 páginas
    5h 52m
    ISBN-13: 9788581661261
    Português Brasileiro

    Não há como falar sobre o rap sem associá-lo ao racismo e à desigualdade social. Assim como nos Estados Unidos, os rappers brasileiros saíram dos bairros periféricos para se projetarem no cenário musical. Com posições de enfrentamento, outras mais apaziguadoras, questões caras sobre a sociedade brasileira emergem na produção artística desses jovens músicos. A ambiguidade do poder público em relação às batalhas de rua, o posicionamento dos rappers no mercado musical, a adesão da indústria fonográfica e de artistas consagrados são alguns dos temas tratados neste livro, que, longe de trazer respostas definitivas, propõe, a partir de uma introdução da história do rap, provocar, questionar, levantar dúvidas sobre essa nova e, acima de tudo, estimulante forma de fazer música.

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    Wallace de Jesus14/01/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Se Liga no Som: Transformações do RAP no Brasil é uma obra do paulistano Ricardo Teperman, resultado da pesquisa de mestrado do Departamento de Antropologia Social da USP que ele defendeu em 2011. Me chamou a atenção a bibliografia e a filmografia 10 de 10 da obra. E pra colocar a cereja neste bolo de fubá "descobri" que a orientadora dele foi a incrível Lilia Schwarcz . Depois desta ficha técnica pesada, é hora de falar um pouquin do livro né. Teperman faz uma viagem na história do RAP no Brasil. Para isso ele regressa no "princípio de tudo". Onde nasceu o RAP no mundo? Quem foi os precursores? Quais foram os primeiros ícones? Qual era o contexto social da época? Dahora aprender sobre essas paradas. Eu gostei demais da parte da apresentação dos 5 elementos do HIP HOP: DJ, MC, B-boy e B-girl, Grafite e CONHECIMENTO, não sabia que existia esse último elemento numa determinada corrente do movimento. Após a contextualização histórica, o autor começa amarrar o texto na realidade nacional. Aí é claro, análise recai sobre a trajetória do Racionais MC's, principal expoente do RAP-BR; A importância da Estação São Bento; As denúncias sociais das composições; O RAP Gangsta, Gospel e de Ostentação; Os conflitos com o Estado; As contradições do movimento; A estética do RAP; A indústria cultural; O surgimento de novas pautas, como a adesão das mulheres, homossexuais e indígenas; Uma interessante análise entre a velha e nova escola do RAP; As batalhas de freestyle na estação Santa Cruz; O despontamento do Criolo e Emicida na cena; A profissionalização da gestão de carreiras do RAP, e muitos outros fatos e nomes marcantes. Apesar das análises serem majoritariamente da cena da cidade de São Paulo, o autor fala da CUFA; Das Rádios comunitárias de Belo Horizonte; Do RAPudura, GOG e do grupo indígena do Mato Grosso do Sul, Brôs MC's. Teperman alerta no início do livro que muitos nomes e fatos ficariam de fora, cito por exemplo a ausência do Sabotage. Contudo, a beleza das pesquisas é que elas nunca se encerram e nois vai continuar investigando. Bom é isso, quem gosta de estudar os movimentos culturais, tá aí uma ótima pedida

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