******************************NÃO contém spoiler*****************************
Já faz muito tempo que escuto falar de Nnedi Okorafor. Uma autora negra, que escreve histórias com personagens femininas negras e empoderadas e que chamou a atenção da crítica e do público com suas narrativas representativas, fortes e premiadas. Binti é certamente uma das novelas que mais escutei falar, principalmente em canais do Youtube voltados para literatura jovem.
Ao iniciar minha leitura, fiquei com a sensação de que a narrativa não possuía nada de tão inovador. Ou melhor dizendo... Não possuía nada que me fizesse entender todo o furor causado por quem a lia. Mas esta prévia impressão durou pouco. É uma mistura interessante entre fantasia e ficção-científica, e trata-se de uma jornada de autodescobertas, de aceitação, de racismo, de respeito ao diferente e da importância de diálogos como forma de resolução para possíveis conflitos.
Binti é uma garota de 16 anos de idade, membra da tribo Himba (que de fato existe e que está localizada no norte da Namíbia) e que passa a ser a primeira pessoa de sua tribo a ser aceita na melhor universidade da galáxia. Mas ela estaria pronta para enfrentar os preconceitos pertencentes de uma sociedade racista?
A trama tem um desenvolvimento interessante e a autora sabe os momentos certos de entregar ao leitor reflexões sobre os assuntos supracitados, mesclando com os momentos fantásticos da trama. Não achei nada fabuloso e não terminei a leitura apaixonado pelo universo e pelos personagens. Mas para uma novela de apenas 96 páginas, Nnedi Okorafor soube escrever uma trama engenhosa que agrega bastante e nos faz pensar que empatia e diálogos podem ser a solução para que diferenças sejam aceitas. Algo óbvio que ainda insistirmos em ignorar... Por este motivo, histórias como essa ainda se fazem necessárias.