Capital Revelada (Ciclo da Capital #I) - Ele, que caça emoções

    Atlas Moniz

    Amazon/Independente
    2016
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-10: B015I5862K
    Português Brasileiro

    O limite do vazio, emoções tomando forma. Olhos que o encaram do negrume, o espectro de um garoto há muito morto, uma realidade oculta. Para Luiz Azevedo, universitário e historiador em formação, tudo começa com uma foto velha, presumivelmente da década de 1920, de um jovem com feições do leste asiático: um rapaz que parece sair da foto para assombrar seus dias e noites, que parece segui-lo nos melhores e piores momentos. Uma relação abusiva, uma tentativa de suicídio, um jovem socorrido em mais um de seus piores momentos. O tal Marcos Castelo Branco (ou Marcos Akiyama?), colega de faculdade de ascendência asiática, tem uma semelhança assustadora com o retratado na foto de oitenta anos antes. Quando Luiz e Marcos começam a se conhecer, quando seus destinos começam a se entremear, as grandes questões parecem uni-lo em um confronto contra o desconhecido: quem é o rapaz da foto e por que ele se parece com Marcos; por que ele insiste em observá-los de perto, das portas de seus quartos, parado e inexpressivo como uma estátua de mármore, morto há décadas? Tudo começa e termina com uma foto.

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    Janayna Bianchi Bruscagin Pin picture
    Janayna Bianchi Bruscagin Pin22/10/2015Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Uma maravilhosa surpresa!

    Até um momento, um dos top 5 das minhas leituras de 2015. Embora a sinopse seja bem misteriosa, a premissa me interessou bastante logo que vi e acabei coloquei o livro na minha lista infinita de leituras. Então, presa em uma rodoviária por várias horas esperando um ônibus intermunicipal, comecei a dar uma olhada no início de alguns e-books que tinha no meu Kobo e fui totalmente fisgada pelo começo do Capital Revelada. E gostei MUITO! Não consegui parar de ler até terminar algumas horas depois, já embarcada no dito ônibus. Uma das coisas que me agradou muito no livro foi o clima meio melancólico e pesadão do livro, embora o cenário inicial seja o ensolarado Rio de Janeiro. Um dos personagens principais, o Marcos, é um cara totalmente soturno (o que se justifica depois) e misterioso, um caçador de fantasmas e de entidades que nascem das emoções humanas. Luiz, outro protagonista, por sua vez, é bastante sensível e carismático, embora meio solitário, o que me fez ter uma associação imediata com ele. O non-sense é muito bem dosado com momentos de realidade durante toda a trama. Em um geral, a atmosfera me lembrou bastante os livros do Murakami, que têm aquele toque de estranheza que não exige (e nem deve ter) explicação. Outra coisa que me apaixonou no livro foram as descrições das caçadas de Marcos e suas incursões no "além". O autor descreveu muito bem esse cenário, com uns toques tenebrosos que me fizeram ansiar por ilustrações. Mas pra mim, particularmente, o melhor do livro foi a característica "despretensiosa" dos místicos e seus poderes. O livro é uma história sobre relacionamentos, sobre problemas familiares e sobre um caso em especial. Claro que eu curto livro com uma pegada mais megalomaníaca como o bom e velho SdA, mas o Capital Revelada não é um livro sobre personagens tentando salvar o mundo ou o universo, e isso é MUITO legal, algo que não se vê toda hora. Ah, fora que também amei o fato dos místicos serem pessoas comuns, que caçam as entidades por pura responsabilidade, tradição de família e vontade própria. Não existe uma mega organização de místicos - cada um trabalha por si, porque quer. E é legal porque eles são também pessoas totalmente comuns, que trabalham como garçons, jogam vídeo game, comem pão com café com leite no café da manhã e gostam de ler Mangás e passear na Liberdade (fica o registro de que AMEI a parte em que os personagens vão pra São Paulo). O autor também usou um recurso bem diferente durante a narrativa, apresentando "desfechos" alternativos de alguns blocos. No começo fiquei confusa, mas depois curti a ferramenta. Em alguns momentos fiquei torcendo pro desfecho final não ser aquele. Hehehehe... A única coisa que achei um tanto diferente no livro foi a maneira com que o autor escolheu se referir aos personagens durante a narrativa. Quase nunca são usados os nomes dos personagens, mas sim expressões como "o mais novo", "o mais velho", "a prima" - quando não, a ocultação total do sujeito da frase. Pra mim não foi nada extremamente incômodo. Vejo um pouco como estilo do autor, mas talvez tenha ficado um tantinho exagerado. Nada que ofusque a história ou a qualidade da escrita, porém. Aliás, a escrita é ótima! Atlas sabe o que está fazendo, o tom do livro é bem profissional e cada palavra parece estar onde deveria estar. A revisão do livro é ótima, especialmente por se tratar de um independente. E o final é muito massa. Abre espaço para todo um universo que estou morrendo de vontade de conhecer. Aguardo ansiosamente outros livros e contos nesse universo, que já me cativou.

    1 curtida

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    Avaliações

    4.2 / 29
    • 5 estrelas45%
    • 4 estrelas41%
    • 3 estrelas3%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas3%