A Literatura Paraense se sistematiza no final do século XIX, com o Naturalismo, que tem em Inglês de Sousa o iniciador dessa escola, não só no Norte, mas no Brasil. A obra O Coronel Sangrado data de 1877, portanto, quatro anos antes de O mulato, de Aluízio de Azevedo. É o terceiro volume das Cenas da Vida do Amazonas, precedido de O Cacaulista e História de um Pescador, que formam, na realidade, um só romance. Os dois primeiros fixam uma economia baseada no cacau e na pesca, que gera conflitos entre os personagens, e o último se volta para a política em que até os mortos votam, uma das cenas que marcam o leitor, pela concisão nas descrições e diálogos diretos. "Óbidos é a terra dos apelidos", diz o coronel Severino de Paiva, conhecido somente pelo método de cura que adota e recomenda. Na trilogia perpassam, também, rumores da Cabanagem, único movimento popular, no país, que chega ao poder pelas armas - e essa confluência da ficção com a história distingue a literatura da Região. Mais tarde, com O Missionário e os Contos Amazônicos, Inglês de Sousa se destaca com uma característica particular em toda a escritura: o enfoque principal sobre o homem amazônico, acima da paisagem e do exotismo.
O Coronel Sangrado (Amazônia #3) - Cenas da Vida do Amazonas
Inglês de Sousa
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O Coronel Sangrado traz uma história que é protagonizada pela própria região em que a trama se passa, a Amazônia, dando bastante espaço para a caracterização do ambiente. Dentro disso desenvolve-se a história de: Coronel Sangrado, apelido dado ao Coronel Severino de Paiva, homem possuidor de um comportamento atípico; Miguel Faria, uma rapaz que já havia morado na cidade (Óbidos) e foi embora por desavenças com outro, o tenente-coronel Ribeiro, volta para a terra depois de cinco anos para rever sua mãe, D. Ana, e procurar seu verdadeiro amor, Rita, afilhada do tenente-coronel Ribeiro, seu arquiinimigo. As disputas políticas entre o partido conservador e o partido liberal, também são acontecimentos que marcam o livro. Pretendia o Tenente-Coronel Severino eleger Miguel vereador, por quem se afeiçoara e decidira fazer dele seu protegido. No entanto, os planos do Coronel Sangrado não dão certo, entre outros motivos pelas intrigas paroquiais que se desenvolvem. Morre o Coronel Sangrado e Miguel, que nunca esquecera Rita, acaba tendo a realização de sua paixão, quando Moreira também morre num acidente, casando com ela. O Coronel Sangrado é uma obra diferente da que o estudante atual está habituado a ler, por trazer ao leitor a experiêcia de como seria a vida do século XIX nas regiões amazônicas. Surpreendentemente as semelhanças em relação a caracterização do meio externo e das pessoas comuns presentes no enredo, com obras do mesmo período como Senhora, de José de Alencar, são muitas, tendo apenas como diferenciação a linguagem própria da região e objetos como meios de condução, vestimentas, etc. O autor tem grande poder sensitivo, produzindo, a cada capítulo, sentimentos completamente diferentes em quem lê. Como em uns onde há presença de temas políticos, pode-se observar a utilização de expressões que deixam bem claro a atmosfera que se encontra a cena, já os de casos amorosos, fazem o leitor ficar sem fôlego a cada parágrafo, pelo uso, também, de expressões específicas. Um livro que sem dúvida deve ser tratado com toda a pompa que é usada para citar seus sucessores, O Mulato, entre outros, por sua grande importância cultural e excelente história contada.
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