Eu estava sentado à beira-mar, ouvindo vagamente um amigo que discorria com veemência sobre algo que apenas me aborrecia. Inconscientemente, fitei um punhado de areia que colhera na mão quando, de repente, dei-me conta da delicada beleza de cada grãozinho: ao invés de amorfa, verifiquei que cada partícula possuía uma forma geométrica perfeita, com arestas vivas, de cada uma das quais partia um brilhante feixe de luz, enquanto cada minúsculo cristal refulgia qual arco-íris. Os raios cruzavam-se e recruzavam-se, formando delicados desenhos de uma beleza tal que perdi o alento. E então, de inopino, meu consciente iluminou-se e eu percebi, de modo vívido, como fora criado o Universo: partículas materiais que, embora pudessem ser amorfas e inanimadas, estavam, não obstante, prenhes dessa intensa e vital beleza. por um segundo ou dois o mundo inteiro surgiu diante de mim qual resplendor de glória. Quando isso se dissipou, deixou-me com algo que jamais esqueci e que constantemente me faz recordar a beleza encerrada em cada átomo que nos envolve." George Russell também nos fala de ter visto o mundo iluminado por um inexcedível esplendor de luzes; de ver-se admirando panoramas tão belos quando o Paraíso perdido; de observar um mundo onde as cores eram mais brilhantes e puras, o que não as impedia de criar uma mais suave harmonia. E, em outra passagem: "os ventos eram resplandecentes te tinha a limpidez do diamante, embora possuíssem a cor intensa da opala enquanto fulguravam pelo vale, percebi que estava imerso na Idade Áurea e que éramos nós que estávamos cegos para ela e não ela ausente pois que jamais se afastara do mundo". Procurei imediatamente uma tradução desta obra para o português, mas só achei, infelizmente, em inglês (The Candle of Vision). Se alguém souber de uma tradução por favor avise-me (carlacporto@gmail.com.br). Tenho o pdf. Citado no livro As Portas da Percepção / Céu e Inferno de Aldous Huxley.