Melancolia se inicia com um mergulho profundo na mente do pintor norueguês Lars Hertevig. Dividido em duas partes, em um primeiro momento acompanhamos um dia de Lars na época em que era aluno da escola de artes de Düsseldorf. Filho de quakers e de origem humilde, recebera ajuda de um mecenas que viu no rapaz potencial de se tornar um grande pintor. No entanto, Hertevig sofre com delírios, alucinações visuais e uma intensa obsessão sexual pela filha da dona do apartamento onde aluga um quarto, do qual acaba sendo despejado. Sua relação com os outros pintores também não é das melhores. Devido ao seu comportamento excêntrico, muitas vezes se torna alvo de zombaria por parte dos alunos. Num segundo momento, acompanhamos o Lars já internado em um manicônimo, em uma situação mais agravada da esquizofrenia. Privado de pintar, ele recorre a vícios e manias primitivas para se distrair de si mesmo. No terceiro momento da trama, várias décadas mais tarde, um escritor tem um momento de iluminação divina ao ver um quadro de Lars, e decide escrever sobre o pintor, ao mesmo tempo passa a revirar algumas questões internas.
Na segunda parte do livro conhecemos Oline, irmã mais velha de Lars, já no fim da vida e sofrendo de intensas dores e perda de memória recente. Suas lembranças antigas, no entanto, se mantém preservadas e ela passa a relembrar momentos que teve com o Lars, agora já falecido, que desde a infância se mostrara um menino incomum. Também nos é mostrado como era a vida da família na ilha norueguesa, e como ficou o Lars após a saída do manicômio até o fim de seus dias.
Melancolia não deve ser lido como uma biografia, e sim como uma viagem ao interior dos personagens. Cada um deles vive um mundo à parte, e Fosse nos insere nesse universo particular de forma com que ficamos completamente imersos. É um livro de uma sensibilidade tremenda, e tão triste que em diversas ocasiões se torna belo. Uma das leituras mais diferentes e recompensadoras que já fiz, e certamente vou querer revisitar futuramente.