Hegel e a Tragédia Grega

    Martin Thibodeau

    É Realizações
    2015
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9788580332001
    Português Brasileiro

    Por que Hegel foi conduzido durante toda a elaboração de seu sistema filosófico – ao mesmo tempo que Schelling e Hölderlin – a se interrogar a respeito do sentido da tragédia grega que conheceu o apogeu no século V antes de Cristo? Este livro se propõe a demonstrar que a interrogação hegeliana sobre as obras de Ésquilo, Sófocles e Eurípides é estreitamente ligada ao projeto de radicalização e de suprassunção (superação dialética, que preserva algo do que foi superado) de parte do kantismo. Vincula-se, sobretudo, à defesa da tese segundo a qual o pensamento hegeliano da tragédia – em que o homem aparece ao mesmo tempo como estranho, inquietante, monstruoso e maravilhoso – incide naquilo que se pode chamar de destino da política. Pensar o sentido da tragédia, pensar o sentido dos conflitos ou das colisões nas quais ela consiste é pensar no que foi a política, no que ela se tornou na história e no que ela é no mundo moderno, que Hegel afirma ser "um tempo de gestação e transição" no "trabalho de sua própria transformação" e em vista de sua própria reconciliação.

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    Lucas Schönhofen Longoni15/01/2025Resenhou um livro
    4.5 (Muito bom)

    Um estudo louvável

    Martin Thibodeau trabalha nessa obra quatro períodos do desenvolvimento do pensamento de Hegel (Espírito do Cristianismo e seu Destino, Artigo sobre Direito Natural, Fenomenologia do Espírito, Enciclopédia/Cursos de Estética), focando nas suas interpretações sobre a tragédia grega. Veremos que inicialmente a tragédia ocupa um lugar mais central na dinâmica da vida ética e que vai, ao poucos, cedendo espaço para a filosofia especulativa e sistemática, ao mesmo tempo que sua concepção vai se tornando mais clara. Para aqueles que quiserem apenas compreender a versão final, seria razoável que focasse apenas no capítulo quarto, dado que é o mais claro - ainda que, como sempre o autor faz, antes de adentrar no tema da tragédia haja uma grande contextualização e explicação do desenvolvimento das obras, o que poderá chatear alguns com intenções apressadas. O terceiro capítulo é o que apresenta mais problemas quanto à claridade do texto, tendo em vista trabalhar a Fenomenologia do Espírito, texto em si mesmo denso. Já os dois primeiros capítulos apresentam interpretações do jovem Hegel, onde o conceito de Sittlichkeit se misturava ao conceito de vida, apresentando o Espírito nessa forma mais imediatamente política e histórica, em virtude de não se apresentar ainda como um sistema filosófico que buscará cada vez mais a cientificidade (Wissenschaft). Em suma, uma obra que tive grande prazer em ler. Alguns pequenos erros de grafia foram notados, mas nada que atrapalhe substancialmente a compreensão. Seria bom uma correção se houvesse novas edições. O autor se esforça por ser claro e consegue na maioria das vezes, o que é muito louvável quando se trata de Hegel. Como dica, diria ainda, que os capítulos poderiam funcionar muito bem separadamente, caso o interesse do leitor seja uma fase ou obra específica do filósofo alemão.

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