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    Doralice

    Vanessa Trajano

    Penalux
    2015
    210 páginas
    7h 0m
    ISBN-13: 9788569033578
    Português Brasileiro
    5
    2 avaliações
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    “Doralice” enreda a história de uma menina que queria fazer teatro, mas encontrou muitas limitações, geográficas, econômicas. O local onde morava era ermo, numa área de serras, “no sertão brabo, de cultura zero”, declara a autora. Fazer teatro era um sonho da menina desde a infância até a adolescência e a narrativa vai desvendando essa busca e esperança da personagem em conseguir realizar sua façanha. O livro trabalha temas sociais e se instaura em temáticas e palavras chave, como sessão testemunho; problemas de escola pública e cultura que não chega a determinados nichos, lugares onde a cultura erudita não chega; fanatismo religioso e complexo de Electra. Doralice e a mãe não se entendem. A força natural e o sonho de ser atriz, a menina carrega consigo desde cedo e persegue essa vontade e desejo de concretizar o feito.

    Resenhas (1)Ver mais
    Morgana Brunner picture
    Morgana Brunner19/10/2016Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Resenha l Doralice - Vanessa Teodoro Trajano

    Oiii gente, como estão? Hoje trago a resenha de um livro que recebi em parceria com a Editora Penalux, me apaixonei por essa capa linda e maravilhosa e, não tive como resistir, senti que escondia algo precioso e que me faria amar a leitura. Podendo até me deixar emocionada só de saber da existência e não me arrependi, apenas me surpreendi. O livro é escrito por Vanessa, vocês precisam conhecer ela! Muito querida e meiga, acompanhou toda a minha leitura e me incentivou, além disso, a obra retrata uma história fascinante que me deixou tão contente em ter a oportunidade de realizar a leitura. Querendo ou não, este ano estou tendo uma lista de livros favoritos e, Doralice não se escapou dessa. Doralice era uma menina quieta, vamos se dizer, negada pelo mundo e pelos seus pais. O surgimento de seu nome não fora nada fácil, cada qual queria um, até que seu avô deu a ideia de um e a avó de outro, resolveram assim fazerem uma junção para agradar aos dois, que estavam contentes pela vinda da menina ao mundo. Mas, nem sempre tudo fora assim, sua mãe Assunção, não a queria de todas as maneiras, de fato pela a menina não ter sido assumida pelo pai e nem se casar com ela, naquela época, menina que não tinha marido, mas tinha filho era mal falada e não prestava. Doralice, por si só não tinha culpa, mas sofrera mesmo assim, fora abandonada e seria criada pelos seus avós da maneira que pudesse. "Foi nesse ínterim que ela alimentou a primeira vontade de se evadir de casa. Amava aquele lugar e as coisas que existiam ali tal como elas eram: rotineiras, banais, mecânicas - ou até mesmo poéticas." Pág. 31 Doralice cresceu e se tornou alguém bem diferente de todas as meninas daquela época, as outras queriam saber de namorico e se encontrar com rapazes as escondidas. Dora não, ela queria ler seus livros, suas revistinhas e ajudar a avó, mesmo que isso as vezes era contra sua vontade, aliás era tudo que sempre tivera e queria ajuda-lá, pois D. Aparecida a cada dia se cansava mais, acreditava que não tinha mais idade para as coisas de jovens. Com o tempo foi assim, a menina ainda não quisera saber de namorado e se encontrava bem em não ter ninguém. Não entendia o porquê de tanto as primas quererem um homem e, ela conseguia realizar as suas vontades da maneira que bem quisesse e podia ler tranquilamente suas revistinhas, no qual já sabia de cor e modificava as palavras, era apaixonada por livros e letras, suas formas a encantavam. Fora crescendo de uma maneira tão simples que cada dia a avó se apaixonava pela menina, era seu chamego, as primas morriam de ciúme, mas Doralice não ligava, sabia que de certa forma era a favorita da avó e que isso não iria mudar, iria continuar da maneira até que algo pudesse acontecer e romper esse laço. "Queria ir em busca de palavras novas, histórias que causassem comoção, pois os trechos dos livros de português muitas vezes eram insuficientes: na hora em que a leitura ia ficando boa, o parágrafo acabava e, em seguida, começava-se um exercício funcionando como uma espécie de colagem." Pág. 70 Houve um tempo que na cidade um circo estava de passagem, a fazer apresentações, e Doralice sentiu que seria a hora de ser livre, de encontrar algo que aperfeiçoasse e quem sabe até se tornaria alguém completa diante de tanta beleza que uma arte dessas poderia trazer, não resistiu e pediu a avó, D. Aparecida se empolgou e queria ir junto, mas o preconceito das outras meninas a levaram a desistir, aliás, diziam que ela não tinha mais idade. Doralice foi ao evento e ficou deslumbrada ao ver tanta emoção e sentimento, era belo e trazia uma liberdade que sabia que nunca iria encontrar em nenhum lugar, ainda mais morando com a avó e suas primas, que querendo ou não a usavam e humilhava, só por ser e ter gostos diferentes de todas as outras. Ela nem ligava, fingia que não era com ela, mas de certa maneira isso a tocava, quando sozinha não sabia o que fazer e as vezes chorava quieta em seu canto para ninguém escutar e perguntar o porquê. "Ela é sensível, isso já escancarei para você. Viver e esquecer não são virtudes peremptoriamente humanas, por isso somos tão apegados com a história: a nossa história e a história dos outros, mas isso talvez seja assunto para capítulo póstumo, já que essa história não acabou e decreto o seu fim numa distância de tempo suficiente para que se torne acontecida." Pág. 117 Aliás, Doralice era fechada, não conseguia nem contar os segredos e coisas que aconteciam na sua vida para a avó, imagina que as outras pessoas não se importavam e a maltratavam, coisa que com o tempo foi marcando e deixando-o fechada para o mundo. Tivera um sonho em relação a ser livre, queria conseguir suas próprias coisas e enfrentar tudo da maneira que sempre quisera, queria ter a liberdade de se encontrar como mulher e viajar por todos os lugares que sempre sonhava, queria encontrar coisas além do que sempre presenciava. Queria ser livre e forte, mas algo inesperado aconteceu, será que seria o fim de tudo isso? "Tão fácil morrer! Morrer é um redito de felicidade. Imagino que seja um eterno estado de inconsciência não como quem morre, mas com quem simplesmente não existe." Pág. 185 Muitos fatos aconteceram, mas não irei contar não é gente? Mas, posso dizer que o final será surpreendente, nunca pensaríamos que chegaria aquilo, será uma surpresa para você leitor como foi para mim. Eu me apaixonei por cada palavra escrita pela autora na obra, entendi perfeitamente cada momento que Doralice teve e enfrentou na sua vida, em certos pontos até me identifiquei com ela. Essa obra foi maravilhosa e achei incrível da Vanessa ficar conversando com o leitor durante a leitura, isso me encanta de certa maneira. A escrita da autora é maravilhosa, compreensível e cheia de amor, cada frase tem uma expressão e um porquê, que de certa maneira nos envolve, suas palavras são belas e simples, mas com um poder incrível. Em relação a edição, ela está linda, com desenhos e letras grandes, sendo uma leitura rápida. Confesso que Doralice superou todas as minhas expectativas e leria várias vezes, gostaria que estivesse na estante de todos vocês.

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    Vanessa Teodoro Trajano

    Vive em Brasília

    5 Livros
    1 Seguidor
    Piauí, Brasil

    Vanessa Teodoro Trajano