Livro: Cosima {1937}
Autora: Grazia Deledda {Itália, 1871-1936}
Tradução: Maria do Rosário Toschi
Editora: Horizonte
175p.
"Ela escreve curvada sobre seus papéis, quando as irmãs ocupam-se com a mãe e Andrea está fora no campo e Santus dorme um dos seus costumeiros sonos de embriagado. Lança-se no mundo das suas fantasias e escreve, escreve por uma necessidade física, como outras adolescentes correm pelas alamedas dos jardins ou vão a um lugar proibido; quando podem, a um encontro de amor." p. 95
Grazia Maria Cosima Damiana Deledda nasceu em Nuoro, uma humilde comuna na Sardenha, em 1871. Quarta de sete irmãos, desde menina encantava-se pelas fábulas, lendas e histórias orais narradas por sua avó e pelos camponeses que trabalhavam na propriedade paterna.
Se mesmo em Roma, uma menina com mais recursos financeiros teria muitas dificuldades em terminar os estudos, não há como auferir o tanto que Deledda sofreu para estudar (até a quarta série e, depois, como autodidata), escrever e ser publicada, vivendo em Nuoro.
Temos somente um vislumbre da força moral e dos caminhos tortuosos que ela percorreu, ao lermos "Cosima", sua autobiografia, publicada um ano após sua morte. Trata-se de um livro, infelizmente, inacabado. A história é interrompida pouco antes de Deledda tornar-se uma autora célebre na Itália. E, bem antes, dela ser conhecida mundialmente, ao receber o Prêmio Nobel de Literatura, em 1926.
"Roma era sua meta: ela o sentia. Não sabia ainda como conseguiria ir; não tinha nenhuma esperança, nenhuma probabilidade: sequer a ilusão de um casamento que a conduziria até lá; entretanto sentia que iria. Mas não era uma ambição mundana a sua, não pensava em Roma pelo seu esplendor, era uma espécie de cidade verdadeiramente santa, a Jerusalém da arte, o lugar onde se está mais perto de Deus e da glória" p. 80
â£
Um livro de memórias bonito, repleto de imagens, sons, cheiros, toda a atmosfera de uma Sardenha entre o sonho, o sobrenatural e a vida familiar, com seus altos e baixos. Uma escritora sábia que ao se deparar com a doença, a morte, a pobreza, não perde o fascínio pela vida, pelo amor, pela arte.
Eu amo Grazia Deledda e indico todos os livros que li: "Juncos ao Vento", pela @carambaia, "A Cidade do Vento" e "Elias Portolu", ambos pela @editoramoinhos.