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    Flores, votos e balas - O movimento abolicionista brasileiro (1868-88)

    Angela Alonso

    Companhia das Letras
    2015
    538 páginas
    17h 56m
    ISBN-13: 9788535926613
    Português Brasileiro
    4.7
    58 avaliações
    Leram86Lendo20Querem456Relendo3Abandonos5Resenhas2
    Favoritos6Desejados456Avaliaram58

    É vasta a bibliografia sobre a abolição. Já foram discutidas suas causas econômicas, as resistências judiciais e cotidianas de que foi alvo, as revoltas e as fugas de escravos. Ainda não foi plenamente reconhecida, contudo, a relevância do movimento abolicionista. Joaquim Nabuco, um de seus líderes, atribuiu a libertação dos escravos à magnanimidade da casa imperial. No centenário da Lei Áurea, em 1988, estudiosos e ativistas do movimento negro contestaram essa versão e ressaltaram a resistência dos cativos, operando apenas uma inversão de sinal: em vez da liderança da dinastia, o protagonismo dos escravos; em vez da princesa Isabel, Zumbi. Esse deslocamento deixou à sombra um fenômeno que não foi nem obra de escravos, nem graça da princesa: o movimento pela abolição da escravidão. Este livro conta sua história. Reconstrói a trajetória da rede de ativistas, associações e manifestações públicas antiescravistas que, a exemplo de outros países, conformou um movimento social nacional - o primeiro no Brasil do gênero. O movimento elegeu retóricas, estratégias e arenas, operando sucessivamente com flores (no espaço público), votos (na esfera político-institucional) e balas (na clandestinidade), num jogo que se estendeu por duas décadas, de 1868 a 1888. Tudo isso é narrado por meio da trajetória de ativistas nacionais decisivos para o desfecho da empreitada: André Rebouças, Abílio Borges, Luís Gama, José do Patrocínio e Joaquim Nabuco - três deles negros. A abolição não se faria por si, pelo desenvolvimento da economia ou por decisão solitária do sistema político, como não se fez por canetada da princesa. É a relevância do movimento abolicionista para o fim da escravidão que este livro mostra de forma brilhante. A luta pela libertação dos escravos dividiu águas na história do país - investigar sua natureza é também compreender um processo que ainda reverbera nas formas contemporâneas da desigualdade no Brasil.

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    Lu Fauves06/09/2020Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    "Flores, Votos e Balas" é uma obra que anda comigo já há alguns anos. Com ela, iniciei a experiência com um leitor de livros digital -- e comecei mal. Desfeiteei o livro inúmeras vezes: dormia, abandonava, trocava-o por séries de streaming adolescentes e leituras mais palatáveis. Nada disso foi culpa da obra ou da autora, Angela Alonso. Eu não estava pronta. Hoje, com o coração mais sereno, ainda que lacerado por dores e alegrias bem características dos entes políticos que me constituem*, terminei a leitura, reiniciada há algumas semanas. Foi uma experiência profunda e intensa: nomes que ocupavam somente o rodapé dos livros de História, assim como o próprio Movimento Abolicionista, ganharam corpo, brilho, personalidade. André Rebouças, Abílio Borges, Luís Gama, José do Patrocínio e Joaquim Nabuco são as personagens principais das letras de Angela Alonso, mas outras figuras (e contradições) surgiram, me fazendo salivar de interesse. Se recomendo o livro? Só se seu coração estiver pronto. -------------------- (*) mulher, preta, PcD, feminista, antiseparatista, antifascista, esquerdista, defensora dos direitos humanos e toda sorte de -istas abomináveis para quem odeia pessoas.

    6 curtidas

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    Angela Alonso

    Nasceu em 1969. Professora do Departamento de Sociologia da USP e pesquisadora do Cebrap, é autora de Idéias em movimento. A geração de 1870 na crise do Brasil - Império (Paz e Terra, 2002), trabalho premiado como melhor tese de doutoramento pela Associação de Pós-Graduação em Ciências Sociais (Anpocs) e CNPq, em 2001.

    5 Livros
    7 Seguidores

    Angela Alonso