Sabe quando você lê uma história, que quando termina, você senta, larga o livro e dá um suspiro? Fica um tempo absorvendo tudo aquilo, tentando colocar tudo em ordem na sua cabeça, porque a história foi tão... extasiante. Assim eu me senti com O Despertar da Fúria, quarto livro da série Tempos de Sangue. Se você veio até aqui sem ter lido os livros anteriores, dá um pulinho nas minhas resenhas deles e volta!
Recomendo que você leia os outros livros antes de vir aqui, pois talvez alguns fatos importantes que merecem ser falados, talvez soe como spoiler. Dado essa informação, vamos prosseguir.
O Despertar da Fúria é o quarto livro da série Tempos de Sangue, do autor Eduardo Kasse. Em Guerras Eternas, vimos Harold, Liádan e Stella unidos a Tita e Alessio, Unidos pelo inimigo em comum que sempre os assombrava: A Igreja. O maior inimigo dos Imortais não são os Deuses que desaprovam a criação deles, assim como Thor odeia Harold por rejeitá-lo e tornar-se um filho de Loki. É a Igreja Católica, com toda a sua perseguição ao que julgam como "o mal", "os demônios", os "filhos de Satã". Pelos séculos desde o primeiro livro, desde o nascimento de Harold como imortal, a Igreja os persegue, sem nunca obter sucesso. Harold foi capturado diversas vezes e quase morto (o que me deixou bem apreensiva) e em Guerras Eternas um exército é mandado para tentar matá-los, fazendo com que unam suas forças.
O Despertar da Fúria é a continuação após essa batalha que culminou na separação de Harold e de suas amadas Liádan e Stella. Stella, extremamente machucada, recolheu-se em um profundo sono. Liádan foi de uma extrema importância nesse livro e afirmou ainda mais porque é minha personagem preferida. Ela é forte, em ambos os sentidos e interpretações. Sua conexão com a natureza, com os deuses e a sua percepção do mundo sempre me fazem pensar: "Ela devia ser real, Nós conversaríamos durante tanto tempo...". Liádan observou e sentiu o grande evento que se aproximava, que mudaria a sua vida e de Harold e Stella. Então ela procurou Harold, que como sempre, havia se metido em alguma encrenca por ser totalmente o contrário de Liádan: sutil. Harold é a força, como ela mesmo sabe. Ela é a harmonia.
Liádan sabe que precisa salvar Harold para que as energias que ela sente se acumulando ao seu redor sejam preenchidas. Esse grande evento que ela sente se aproximar é algo que nem mesmo eu, que sempre peço (praticamente imploro) spoilers ao autor, imaginava. É algo tão excitante e empolgante que eu não consegui largar o livro até ler tudo e quando terminei, fiquei segurando o livro aberto, esperando que alguma página extra com mais informações brotasse magicamente e acabasse com minha curiosidade. Eu estava na metade do livro e de uma vez o terminei, porque o fluxo se tornou não energizante que eu não conseguia parar. As horas passaram-se mais rápido que os séculos dos Imortais.
Outro ponto que me chamou bastante atenção e sempre me rendia boas risadas, foram os nossos queridos (hurrr) católicos. Como eu já expliquei, a Igreja persegue os Imortais, por julgarem que eles são demônios, enviados de Satã e tudo isso. Eu sempre adorei a forma como Eduardo coloca os religiosos nessa série. Você pensa: eles deviam ser os heróis do seu povo. Mas não é isso que eles são. Quem já leu sobre a Idade Média (eu devorava material sobre isso e devoro até hoje), sabe que a Igreja era poderosa não só espiritualmente, mas financeiramente (o que não mudou muito). A Igreja era dona de terras, equitares de terra, com criados e até mesmo escravos. Nesse livro, o religioso da vez é o bispo Robert de Salisbury, um homem poderoso, mas atormentado e ele me rendeu boas risadas com seus pensamentos distorcidos do mundo, o que o perturba bastante. O bispo e sua criada tão prestativa...
Eduardo narra com a maestria que um dia eu espero possuir (quando eu crescer, quero ser como você, senpai) o universo da série. Os sentimentos de cada personagem, porque cada um deles é dotado de personalidade única, o que sempre me faz viajar pensando no que cada um deles faria em cada situação diferente. A construção dos cenários e até mesmo personagens que nem nome tem, que apenas estão ali para ser uma ligação entre uma cena e outra são bem construídos. Eu me tornei fã dessa série e do autor desde o primeiro livro, desde o meu primeiro minuto com Harold. Quer tornar-se um Imortal? Você aceita a dádiva dos Deuses?