A meu ver, Sinatra: o chefão, de James Kaplan, é uma das melhores biografias de artistas já escritas.
Neste volume (continuação, obviamente, do volume 1), Kaplan relata os anos dourados e a decadência daquele que foi uma das maiores vozes de todos os tempos (e não é sem razão que o primeiro volume fazia justa referência a isso). Mas não se engane, pois Sinatra é retratado em seu lado brilhante mas também em seu lado francamente (sem trocadilhos) monstruoso.
Narrando a gênese de seus maiores sucessos (e de seus não tão sucessos assim, além dos óbvios fracassos), mostrando as benfeitorias feitas a diversas instituições, delineando a sua lealdade (quando lhe convém, é bom dizer) a seus amigos, sua ampla e variada gama de conhecidos e milhares de celebridades, Kaplan nos mostra o lado mais belo e louvável do grande cantor.
Mas Sinatra é humano, demasiado humano. Seu lado obscuro é por demais assustador para ser deixado de lado: misógino (produto de sua época, é bom que se ressalte), homofóbico (idem), extremamente egocêntrico, violento (principalmente contra os que não podem revidar - são citadas dezenas de agressões contra repórteres, garçons e mulheres), racista em diversos momentos, ligado ao submundo do crime, amoral, ganancioso ao extremo, perdulário a perder de vista, desleal com seus supostos amigos (já disse isso) e por aí vai.
Sim, Sinatra foi um dos maiores artistas de todos os tempos. Ponto. Mas também pode não ter sido um dos humanos mais dignos que já passaram por esse planeta. Mas quem sou eu para julgar, né? Se tudo em Sinatra parecia ser hiperbólico, também seus defeitos o parecem ser.
Enfim, uma biografia para ser lida como um romance como diz uma das resenhas do livro. Um calhamaço que vale cada centavo. E a menção a grandes sucessos, certamente, fará muitos leitores correrem a algum site de vídeos ou de música para conhecê-lo. E só isso já vale cada centavo de seu rico e suado dinheirinho...