Obra de valorização regionalista, publicada em 1991, de Carlos Cantuária. A narrativa foca o enterro de um ribeirinho do rio Flexal. Basicamente, mostra a história de um grupo de amigos e compadres ribeirinhos no funeral de um dos seus. Mas estamos falando da Amazônia, de suas peculiaridades, por isso o cenário mostra boto, o rio em sua exuberância e até o encontro com um grande sucuriju (descrito com o entusiasmo e exagero comuns na Amazônia). Poderia se apresentar como um causo, pois o malfadado defunto se vê envolvido em confusões cômicas (com direito a despencar no assoalho da casa, ser transportado de canoa no cortejo fúnebre e chegar a uma situação de pensarem que estivesse vivo). Seria cômico se essa Amazônia, o centro das atenções, não fosse o principal agente de tudo, levando o defunto para moradia final no fundo do rio através de uma pororoca.
A terra é o elemento mais importante, determinando e influenciando o rumo de tudo, seja natural, seja humano. O ribeirinho é mais um elemento neste cenário natural. Se o pobre defunto estava à mercê de seus camaradas para seu destino final, todos ali estavam à mercê de uma força maior - a Amazônia - que dá o desfecho. Afinal, quem conduz quem?