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    Aulas de literatura - Berkeley, 1980

    Julio Cortázar

    Civilização Brasileira
    2015
    336 páginas
    11h 12m
    ISBN-13: 9788520012888
    Português Brasileiro
    4.5
    26 avaliações
    Leram44Lendo8Querem145Relendo1Abandonos2Resenhas4
    Favoritos8Desejados145Avaliaram26

    Aulas magistrais do autor de O jogo da amarelinha, com um tom informal e coloquial. Berkeley, Califórnia, outono de 1980. Depois de anos negando, Julio Cortázar aceita dar um curso universitário de dois meses nos Estados Unidos. Como se poderia esperar, não se tratam de conferências didáticas, mas de conversas sobre literatura e sobre tudo acerca da sua experiência como escritor e a gênese de suas obras. As aulas tratam de temas diversos, como o conto fantástico, a musicalidade, o humor, o erotismo, o realismo e o lúdico na literatura. O livro é o resultado de uma minuciosa e fiel transcrição das treze horas de gravação das conversas entre o autor e o público presente nas classes. Dividido em temas, a obra permite que o leitor mergulhe no universo cortazariano e entenda um pouco sobre seus processos de criação, sua evolução como escritor, o sentido de um livro como O jogo da amarelinha e de que forma ele foi escrito.

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    Fabio Shiva15/05/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Tristeza e Esperança

    Que deleite poder frequentar a classe de maestro Julio Cortázar! Este livro é a transcrição de uma série de oito aulas (e mais duas palestras) que Cortázar ministrou em 1980 na Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos. Creio que a maioria de seus alunos era de latino-americanos, pelas perguntas feitas e pela impressão de que as aulas foram ministradas em espanhol. Para quem ama a Literatura, essas aulas representam um tesouro inestimável, graças ao carisma do professor Cortázar, que com sua fala macia e envolvente vai nos conduzindo por labirintos simbólicos e extremamente atrativos, a tal ponto que eu, pelo menos, não queria mais encontrar a saída, e fiquei triste (como devem ter ficado os alunos da turma presencial) quando as aulas chegaram ao seu inevitável fim. A tristeza, contudo, acompanhou-me durante toda a duração do curso, pela percepção do abismo que nos separa, nos dias de hoje, das esperançosas alturas vislumbradas no alvorecer da não tão distante década de 1980... Cortázar nos fala de um momento em que os leitores estavam buscando nos livros algo mais que uma “mera” satisfação estética. Colocando sempre a sua jornada pessoal como exemplo, Cortázar fala de um chamado “metafísico” e “histórico” sucedendo o apelo puramente “estético”. Na mirrada literatura de entretenimento que domina o mercado atualmente, até mesmo a etapa inicial, “estética”, já parece pesada e indigesta... que dirá falar de questões existenciais ou de cunho social! Outro motivo de tristeza é o testemunho de Cortázar de que as pessoas estavam lendo cada vez mais contos... Acho que foi o Rubem Fonseca quem primeiro me chamou a atenção para o fato de que os contos atualmente estão “fora de moda”. Fiquei tentando entender isso, afinal um conto por ser mais curto deveria ser mais atraente para um leitor preguiçoso. A explicação que encontrei foi que o conto é um mergulho em profundidade, assim como, de certa forma, o poema. Dá muito mais trabalho escrever um bom conto que um bom romance, se formos considerar palavra por palavra. Do mesmo modo, ler um conto bem escrito exige bem mais do leitor. Outra constatação que também teve uma nota de tristeza foi a do isolamento do Brasil em meio à América Latina. Um brasileiro tem muito mais facilidade de ler um livro escrito em espanhol, que nossos irmãos latino-americanos de entenderem o nosso português. Sabe-se lá porque isso! O próprio Cortázar, que é argentino, admite não ter lido quase nenhum autor brasileiro, mas se compraz comentando a literatura chilena, colombiana, salvadorenha etc. Por outro lado, devido às dimensões continentais e à diversidade de povos e culturas que temos no Brasil, penso que está bem que assim seja. Da mesma forma, assim como no decorrer de poucas décadas a Literatura e as Artes em geral experimentaram tamanha derrocada, nada impossibilita que voltem a se erguer em um período igualmente curto! Confio e espero que a Data Limite e a Transição Planetária tragam em seu bojo um novo florescimento artístico e literário, para o bem de toda a humanidade. Que assim seja! https://comunidaderesenhasliterarias.blogspot.com/2019/05/aulas-de-literatura-julio-cortazar.html

    10 curtidas

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    4.5 / 26
    • 5 estrelas62%
    • 4 estrelas35%
    • 3 estrelas4%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
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    Jules Florencio Cortázar

    Belga de pais argentinos, nasceu na embaixada da Argentina em Ixelles, distrito de Bruxelas, na Bélgica, e voltou a sua terra natal aos quatro anos de idade. É considerado um dos autores mais inovadores e originais de seu tempo, mestre do conto curto e da prosa poética, comparável a Jorge Luis Borges e Edgar Allan Poe. Foi o criador de novelas que inauguraram uma nova forma de fazer literatura na América Latina, rompendo os moldes clássicos mediante narrações que escapam da linearidade temporal e onde os personagens adquirem autonomia e profundidade psicológica inéditas. Seu livro mais conhecido é Rayuela (O Jogo da Amarelinha), de 1963, que permite várias leituras orientadas pelo próprio autor.

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    Jules Florencio Cortázar