Arquipélago

    Laura Athayde

    Tribo
    2015
    52 páginas
    1h 44m
    ISBN-13: 9788567781075
    Português Brasileiro

    Arquipélago não tem protagonista. É uma história esquisita onde o ponto de vista é passado de maneira contagiosa, personagem para personagem, sem que se faça muita ideia de para onde se está indo. Uma história de pequenas reflexões sobre o morrer e o estar vivo, onde círculos se fecham e se abrem e nenhuma lição é aprendida.

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    Isabelle Simões10/02/2016Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Arquipélago

    Primeiramente, somos apresentados a uma mulher que mora sozinha em sua residência, onde a única companhia que parece confortá-la é seu gato de estimação. Ela, cansada da sua realidade, decide mudar, afirmando que precisa pedir demissão de um trabalho que supostamente detesta. A partir desse ponto, os caminhos que ela percorre e as pessoas com quem se entrelaça vão conduzindo a história, onde notamos como um indivíduo desconhecido afeta a vida de outro, formando um conjunto de ilhas, um arquipélago do cotidiano. Somos apresentados aos diálogos existenciais de cada personagem que aparece na história, e como eles lidam com o mundo real extremamente perturbador em algumas situações. Arquipélago desconstrói paradigmas abordando temas como a religiosidade (será que a religiosidade está estritamente ligada à bondade e empatia com o próximo?). Aborda também o fator da violência (Como o mundo capitalista atual contribui para a violência cotidiana, onde notamos em campanhas que atualmente o “ter” é mais importante que o “ser”; e como isso está ligado com o preconceito diário, com os privilégios e as oportunidades que não são iguais para todas as pessoas). A reflexão que Arquipélago me trouxe é que, a princípio, o mundo parece ser um lugar onde a felicidade que todos almejam está cada vez mais distante, difícil de ser conquistada, devido à indiferença, à falta de empatia e aos preconceitos diários que repassamos. Laura retratada muito bem em sua história e traços como a sociedade contribui em parcelas para esse mundo caótico em que vivemos. Parece não haver solução, uma vez que falta a desconstrução diária desses fatores extremamente nocivos para a sociedade. Laura demostra em Arquipélago a importância dessa desconstrução, da compreensão e respeito com as diferenças de cada pessoa. Com um final pessimista, a história mostra que muitas vezes as pessoas sentem-se simplesmente preguiçosas para quebrar paradigmas, refletir e contribuir para uma sociedade mais igualitária. Arquipélago é um trabalho belíssimo e reflexivo para o mundo atual. Laura é uma artista talentosa que merece a nossa devida atenção no cenário dos quadrinhos nacionais. Resenha completa no link abaixo

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