Quando estava envolvido com a leitura percebi que se desenrolava no estilo "Star Wars", pois a história é antecedida por duas outras, que na ordem cronológica são "Chuva rubra" e "Tempestade de sangue".
A HQ faz parte da coleção "Túnel do Tempo" (Eselworlds) que é caracterizada por histórias inusitadas, em um universo próprio e paralelo, separado da cronologia conhecida dos heróis.
"Bruma Escarlate" é uma bagaça muito doida, sombria, macabra e violenta. A obra se passa após os eventos funestos das histórias anteriores, onde o morcego mediu forças finais com Coringa em um "apocalipse" vampiro (com licença do uso da palavra no sentido de eventos impactantes). Sagrara-se vencedor a custo de sua vida, pois o palhaço lhe passou o legado de sangue antes de bater as botas. Enfim, o Batman enlouqueceu ao lidar com as "novas sensações" e escolheu a morte com uma estaca.
Começa aí essa HQ, onde esse Batman, por escolha dos amigos, volta totalmente atormentado para lidar com a bandidagem que tomara conta de Gotham. O negócio é sinistro mesmo, pois o morcego se transforma literalmente em um monstro contra o crime e vai ficando cada vez mais maluco. Até o Espantalho não aguentou o tranco e se cagou de medo. KKKK! O duelo foi interessante...
Curioso que originalmente a imagem do medo foi intenção na criação de sua personagem e ele agora é um pesadelo vivo (ou será morto?) que mata, como aconteceu em suas remotas e pioneiras HQs.
É um bocado violenta e a arte tem algo gótico, começando pelas dimensões não usuais da revista. A caracterização longilínea é ressaltada em cores sombrias e, com uma outra licença, ultra-poética, diria que lembra a arte barroca de El Greco (mas bota licença poética nisso!).
Que coisa mais sinistra! Em uma percepção final, diria também que é como o mau cobrando seu preço e aplicando suas consequência na proporcionalidade do terror que é semeado.
Ainda tem uma segunda parte...