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    Poesia Completa

    Orides Fontela

    Hedra
    2015
    440 páginas
    14h 40m
    ISBN-13: 9788577153718
    Português Brasileiro
    4.4
    78 avaliações
    Leram100Lendo21Querem125Relendo0Abandonos1Resenhas6
    Favoritos23Desejados125Avaliaram78

    Orides Fontela [1940-1998] foi uma das mais importantes poetas brasileiras da segunda metade do século XX. Da mesma geração de Paulo Leminski, Hilda Hilst, Roberto Piva e Adélia Prado, sua obra se destaca e se diferencia por um alto rigor unido a uma particular beleza áspera, que a tornam, contra a passagem do tempo, cada vez mais contemporânea. Isto é, cada vez mais fundamental para poesia e o tempo presentes. A publicação pela Hedra de sua Poesia completa [organizada e apresentada pelo poeta e crítico literário Luis Dolhnikoff] reafirma e reforça esta condição. A paulista Orides Fontela surgiu na cena literária da segunda metade do século XX descoberta pelo crítico e professor da USP Davi Arrigucci Jr., que em seguida apresentaria sua obra a Antonio Candido. Dessa descoberta resultaria seu primeiro livro, Transposição [1969], seguido de Helianto [1973], Alba [1983 – Prêmio Jabuti], Rosácea [1986] e Teia [premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte], compondo uma obra cada vez mais vigorosa, enquanto sua vida caminhava para um fim solitário em um sanatório para tuberculosos em Campos do Jordão. Recentemente, seu biógrafo, Gustavo de Castro, redescobriu uma coleção de 22 poemas inéditos, a maioria ainda em manuscritos guardados entre os livros de sua biblioteca. A reunião de todos os seus livros publicados em vida, junto a essa importante coleção de inéditos, permitiu a organização de sua Poesia completa – que, ao lado de sua biografia, O enigma Orides, [um lançamento Itaú Cultural-Hedra], repõe a vida e a obra de Orides Fontela na corrente sanguínea da cultura brasileira contemporânea.

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    Paulo Gilberto picture
    Paulo Gilberto20/12/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Descobri Orides Fontela ao encontrar esse livro no catálogo online da Hedra, editora que eu adoro, no começo de 2021, e passei esse ano todo querendo o livro e visitando a página para ver se entrava em promoção, até que mais uma feira literária online, da USP, fez baixar o preço e eu, esquecido dessa festa do livro, por acaso fui olhar o livro e grande satisfação logo chegou em casa. Mas na minha descoberta da autora, fiquei triste ao pesquisar brevemente sua vida e saber que foi mais um escritor que passou o fim da vida praticamente indigente, no ostracismo; afinal, incontáveis são os artistas ignorados durante toda sua vida, ou bem criticados mas de fato reconhecidos postumamente, enriquecendo as editoras, gravadoras, produtoras etc.. Caio Fernando Abreu, por exemplo, enquanto publicava livros e tinha um exibido na vitrine de uma livraria em Londres, lavava pratos num restaurante ao lado dessa mesma livraria. E minha indignação só aumentou ao ler a introdução dessa antologia da Hedra, ao saber das várias publicações em vida de Orides, de seu prêmio Jabuti, de sua dita importância para o modernismo brasileiro, e morrer de tal forma, esquecida num hospital, de tuberculose. Essa antologia evidencia algumas características formais da poética de Orides, como nomear os poemas e fazer poemas-pílulas, mas não cômicos ou bem humorados, ou poemas curtos. A introdução do livro, de forma cômica, basicamente diz que hoje não existem bons poetas, alega, como qualidade da poeta, que os poemas de Orides são pouco abstratos e menos individuais que os que os novos poetas escrevem hoje, no entanto, apesar da fluidez da leitura dessa antologia devido tanto a muito agradável formatação da edição quanto à brevidade dos poemas, a maior parte dos poemas é bastante subjetiva, como a poesia tem o costume de ser, de difícil interpretação. Contudo, alguns por serem mais diretos ou belos na observação minuciosa de detalhes do cotidiano, de forma que só um poeta ou apaixonado leitor de poesia pode fazer, são não só rapidamente compreensíveis e satisfatórios, como fáceis, quase naturalmente, de se lembrar: a moça que derrama água do cântaro, num gesto essencial, ou a existência de deus, que é "um escândalo", existindo ou não. Aliás, vale notar que Orides também era formada em Filosofia pela USP. Como observou Stephen King em uma entrevista e em sua biografia sobre escrever, quando um novo autor começa a escrever, ele vai absorvendo influências de cada escritor que ele lê, King disse que no começo ele escrevia tentando imitar a escrita do último autor que ele leu, não necessariamente consciente disso. De fato isso foi algo que constatei na minha árdua batalha contra a incompetência diante da escrita, tanto de prosa quanto de poesia, e enquanto e após ler essa antologia de Orides, me vi dando títulos a alguns poemas que escrevi, coisa que tornei rara há um tempo, e escrevendo poemas mais curtos e objetivos, objetivos mas abstratos, como Orides. Apesar da mencionada dificuldade de compreensão de boa parte de sua poesia, eu tenho vontade de folhear de novo, tendo lido muito recentemente, essa maravilhosa edição da Hedra, que mostra na capa uma já idosa Orides num gesto que parece frágil, e sentir esse contentamento, talvez exaltado, com esses poemas-pílulas inquisitivos ou observadores.

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    Orides de Lourdes Teixeira Fontela  profile picture

    Orides de Lourdes Teixeira Fontela

    Orides de Lourdes Teixeira Fontela nasceu em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, em 21 de abril de 1940. Começou a escrever poemas aos sete anos de idade. Como ela mesma dizia, sua família "não tinha base cultural, meu pai era operário analfabeto, de modo que a cultura que peguei foi na base do ginásio, escola normal e leitura". Aos 27 anos, deixou sua cidade natal e veio morar em São Paulo, com dois sonhos na cabeça: entrar na USP e publicar um livro. Cumpriu os dois: fez Filosofia e publicou seu primeiro livro, Transposição , com a ajuda do professor Davi Arrigucci Jr., seu conterrâneo. Depois de formada, foi professora do primário e bibliotecária em escolas da rede estadual de ensino. Publicou ainda Helianto (1973), Alba (1983), Rosácea (1986), Trevo 1969-1988 (1988) e Teia (1996). Com Alba , recebeu o prêmio Jabuti de Poesia, em 1983; e com Teia , recebeu o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte, em 1996. Sempre com dificuldades financeiras, no final da vida, acabou sendo despejada de seu apartamento no centro da cidade e foi viver com sua amiga Gerda na Casa do Estudante, um velho prédio na Avenida São João. Era uma pessoa irritadiça e muitas vezes se meteu em encrencas, brigando com seus melhores amigos. Morreu em Campos de Jordão, aos 58 anos, no dia 4 de novembro de 1998, de insuficiência cardiopulmonar, na Fundação Sanatório São Paulo.

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    São Paulo, Brasil

    Orides de Lourdes Teixeira Fontela