Cose che Nessuno Sa -

    Alessandro D'Avenia

    Mondadori
    2011
    335 páginas
    11h 10m
    ISBN-13: 9788866210306

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    Manuella Hipon20/02/2014Resenhou um livro
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    Coisas nossas e de todos nós

    Coisas que ninguém sabe Alessandro D’Avenia – 378 páginas – Bertrand Brasil De antemão, quero avisar aos futuros leitores de ‘Coisas que ninguém sabe’: não é um livro cheio de ação e aventura, não dá para ler todo de uma vez. É um livro para ser saboreado lentamente, apreciado. Daqueles que pedem pausas, entre suspiros. Porque encerra reflexões, convida o leitor a pensar na vida, nas dores, nos valores, nos amores... (pode ser assim mesmo, rimando, porque também é poético). É leitura recomendada para quem quer a profundidade das palavras, quem aprecia a construção perfeita das frases, quem gosta de divagar no pensamento do autor. E como ele é criativo! Não do tipo que inventa coisas. Mas que as recria, dá significados novos, olha profundamente para algo que se vê todo dia e mal se percebe. Tinge o habitual com nuances novas, ternas. A narrativa, em terceira pessoa, alterna três personagens, embora Margherita seja a principal. Ao longo do livro há citações em italiano, traduzidas no rodapé ou na fala da avó de Margherita. O título do livro também é uma expressão recorrente na leitura, tanto para fechar um pensamento do autor, uma dúvida da personagem ou para instigar o leitor Margherita é uma adolescente que vai iniciar o Liceu (equivalente ao nosso ensino médio) na Itália. Está apreensiva com os novos amigos, a nova escola e, principalmente, com as dificuldades que marcam a passagem da infância para a adolescência. A dor se apresenta à nossa menina: o pai saiu de casa, sem explicações. 'Gostaria (...) de esquecer todas as dores da vida. Mas não é possível esquecer amores e dores. Talvez porque coincidam com a vida.' (p. 320) Giulio é um adolescente da nova escola de Margherita, mais velho e, como dizem por estas bandas, foi ‘talhado na dor’. Não tem família, usa a solidão como couraça para se proteger das crueldades da vida. 'Quem conhece a dor reproduz-lhe o eco por toda a vida, como as conchas fazem com o mar.' (p. 29) O Professor (assim mesmo, sem nome) é um apaixonado pela literatura e se refugia nos livros para não enfrentar a realidade. Adulto, mas negando-se a crescer. A namorada, por quem é apaixonado, quer casar, formar uma família. Apresenta aos alunos a Odisseia de Homero e, assim, desperta a coragem de Margherita... '- Demonstra-me, as palavras não bastam. Nem mesmo as belas. Não é a poesia que faz um amor, professor, mas o contrário!' (p. 141) Personagens secundárias dão uma cor incrível à vida de Margherita, como a amiga Martha, o irmão Andrea e a avó Teresa (minha preferida). D’Avenia conta uma história sensível e emocionante, em que as personagens vão amadurecendo gradualmente, experimentando a dor, o amor e o medo, correndo riscos. No encontro entre elas as descobertas são transformadoras, cada uma acrescentando algo especial. Assim, cria personagens tridimensionais, tão humanizadas pelas tentativas de acerto em busca da felicidade. ‘(...) onde a dor se esconde, cresce a madrepérola da vida.' (p. 131) É sobre a vida que o livro fala, sobre nossa relação com o outro e com nós mesmos. Como aprendemos com as experiências, sejam boas ou más. Usando metáforas ao longo da prosa, como a da formação da pérola, que só se forma após a provocação do predador, reflete conosco que é preciso experimentar a vida em sua plenitude, mesmo sendo um processo tão doloroso quanto valioso. Dá espaço para que cada um imagine, reflita, (re)construa suas questões pessoais. São as ‘coisas que ninguém sabe’, coisas nossas e de todos nós.

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