Ter ou não ter, eis a questão - A sabedoria do consumo

    Nilton Bonder

    Rocco
    2011
    126 páginas
    4h 12m
    ISBN-13: 9788532522108
    Português Brasileiro

    O mundo consumista e materialista em que vivemos é o ponto de partida para Ter ou não ter, eis a questão! , de Nilton Bonder, que chega às livrarias como parte do projeto de reedição da obra completa do rabino pela Rocco. No livro, ele fala da posse como um dilema de toda a humanidade, já que as escolhas da vida se baseiam no que temos ou deixamos de ter. Mas, em vez de demonizar o consumo, o autor se preocupa em compreendê-lo como uma necessidade das pessoas, propondo uma administração do desejo e da vontade. Já na introdução, Bonder explica por que a famosa frase de Shakespeare – Ser ou não ser, eis a questão – foi adaptada para dar título ao livro. Como a própria existência, por definição, é a posse de um corpo, ser e ter caminham juntos: enquanto o primeiro é uma questão relativa à matéria, o segundo é a questão essencial da existência. Os problemas começam quando eles deixam de ser dois lados de uma mesma moeda para se transformar na antítese um do outro. De forma bastante didática, o autor aborda o dilema do título em quatro esferas paralelas: física, emocional, intelectual e espiritual. Em cada uma, a frase “ter ou não ter” ganha um conceito diferente: frague (pergunta) na esfera física, shaila (ambivalência) na emocional, kashia (dúvida) na intelectual e teiku (paradoxo) na espiritual. Por fim, Bonder apresenta a Economia do Desejo, segundo a qual o querer e a identidade estão intimamente ligados. Quando o primeiro se sobrepõe à segunda, o indivíduo experimenta uma crise de valores, sentindo-se vazio. No momento em que a identidade é mais forte do que o desejo, a pessoa fica reprimida e entra em depressão. Conforme nossa sociedade se preocupa mais com o querer ter, abusa da experiência do ser através de ter. Esse vício gera problemas como egoísmo, insegurança e incerteza da própria identidade. O ter é encarado como medida de sucesso, dando a percepção errada de que somos incluídos quando temos e excluídos quando não temos. Quando atingimos a maturidade para saber o que não ter, ganhamos qualidade de vida. Ao falar de sentimentos como perda, traição e injustiça, ou estabelecer elos com o bem-estar individual, Nilton Bonder mostra que lidar com a espiritualidade é encarar a vida e o mundano. Somente com a junção das duas pontas, o que se possui e o que não se possui, é possível preservar o estímulo para novas conquistas e dar valor para as coisas.

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    Edson Camara13/06/2018Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Este é um livro fundamental para quem quer pensar sobre a vida, sobre o que fazemos aqui enquanto usamos este copro em comodato

    Este é um livro difícil de ler, requer muita releitura para completar o entendimento, mas também é uma daquelas leituras que você não quer largar. A curiosidade e a vontade de aprender e refletir sobre o texto lhe agarra com força. O rabino lhe poê para trabalhar lendo seu livro. Há muita reflexão, muitos exemplos e muitas referencias para considerar a questão do ter. E o rabino não se refere aqui ao ter material apenas. A posse espiritual, mental e sentimental também é avaliada. A posse "ilusória" de pessoas, no relacionamento, também é mostrada com certa crueza. Este é um livro fundamental para quem quer pensar sobre a vida, sobre o que fazemos aqui enquanto usamos este copro em comodato, e o que deixaremos como legado quando partirmos. Prepare-se para sentimentos profundos e diversas emoções nesta montanha russa de esclarecimentos. Separei um trecho do livro para citar aqui para servir de aperitivo para aqueles que irão ler a obra: "Reb Nachman, personagem de quem derivamos vários ensinamentos anteriores, tem uma visão bastante interessante do que concerne à posse. Ele desafia aqueles que têm um,a boa qualidade de vida a submeter-se a um teste definitivo para medir a veracidade dessa qualidade. Ele propõe que as pessoas com boa qualidade de vida imaginem-se perdendo uma a uma as coisas que têm. Se com essas coisas for sendo perdida também a qualidade, então elas não tem qualidade de vida." Impressionante não é. Tente fazer o teste, você vai ficar surpreso com o resultado.

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