“Sinto muito, sempre a mesma coisa. O que se pode comprar nesse mundo com um pedido de desculpas?”
Em uma era medieval, a febre do sangue devastou grande parte da população, deixando seus poucos sobreviventes marcados com uma maldição que muitos diziam ser a ira dos deuses. Também chamados de malfettos, essas pessoas eram excluídas da sociedade, viviam sem nenhum previlégio e eram condenadas à morte ou a prisão. Contudo, alguns desses sobreviventes herdaram além. Eles possuíram dons, poderes que preferem deixar em segredo, os denominados “jovens de elite”.
“Alguns nos odeiam, pensam que somos fora da lei a serem pendurados na forca. Alguns nos temem, pensam que somos demônios a serem queimados na fogueira. Alguns nos adoram, pensam que somos filhos dos deuses. Mas todos nos conhecem.”
Adelina Amouteru, junto com sua irmã, é uma sobrevivente que vive nos maltratos do pai até o dia em que descobre que ele irá vendê-la. Pasma, ela resolve fugir e é durante essa fuga que suas habilidades sobrenaturais são descobertas e o caos de sua história ganha vida.
Quando terminei esse livro passei horas com ele na cabeça. Me emocionou muito, me prendeu e eu nunca mais tinha terminado uma história com tanta raiva e indignação (Em um sentido bom, se der para entender, pq não só de emoções boas se vive um leitor). Marie Lu criou um universo maravilhoso, com uma narrativa muito bem trabalhada e equilibrada. Mesmo com várias coisas acontecendo de uma vez, como guerras, batalhas e tretas internas, ela consegue fazer com que cada assunto chegue ao leitor em doses certas e com isso vamos captando detalhe por detalhe, emoção por emoção, sem ficar disperso.
Tenho pouquíssimos personagens favoritos, sempre vou juntando pedacinhos durante as leituras mas a Addie é fascinante (mesmo as vezes sendo meio idiota). Ela foi criada para ser uma anti-heroína/vilã. Suas ações são duvidosas. Sua mente é traiçoeira. Ela pode errar mas ainda assim você vai ficar do lado dela. Adelina é a prova do que acontece se você der ouvidos ao seu lado negativo e deixar todos os seus demônios tomarem conta da sua mente. Os poderes dela se alimentam da revolta, do medo e da escuridão que começou com ela própria.
Ainda não acredito que demorei sete fücking anos para dar continuidade a essa história. Já iniciei o segundo livro e minhas expectativas estão lá em cima para o desenvolvimento da Addie ainda mais por ser o mais sombrio (segundo a autora). É uma pena essa trilogia não ser muito conhecida. (Aponto o dedo facilmente para dizer que jovens de elite dá um belo banho em muito livro hypado por aí).
“Se você me expulsar da sociedade do punhal, formarei minha própria sociedade. Estou cansada de perder. Cansada de ser usada, ferida e jogada fora. É minha vez de usar, minha vez de ferir. Minha vez.”
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