Quando me deparei com esse livro no sebo, uma palavra me veio à mente: devassidão. Ora, o que esperar dos diários de Anais Nin, contando sua relação com Henry Miller (dispensa apresentações) e June, sua esposa? Quanto a isso, o livro surpreendeu-me. É bem mais do que imagens eróticas. Aliás, é o que menos se encontra nessas páginas densas. Digo densas, acho que é a palavra ideal para definir essa . A linguagem de Anais é simples, agradável, sem floreios ou refinações léxicas. O que o torna denso, é o tema: quase sempre temos Anais discorrendo sobre sua vida e suas paixões, quase sempre Anais debatendo-se com seus sentimentos e seus desdobramentos. Não há espaço livre quase para o leitor respirar. Tudo é denso, carregado dos sentimento dela, que, não tenho dúvida, é daquelas pessoas embriagadas de tanta paixão. Alguém que ama demais. Por isso, Anais, que no começo desse diário (escrito entre 1931-1932) está casada com o banqueiro Hugo, ambos em guerra de ideias, vai aos poucos libertando-se: conhecer henry e june é um marco em sua vida. A princípio apaixona-se pela mulher, que é estonteante, magnetiza-a. Mas logo June se ausenta por uma viagem, e o espaço desse desejo é ocupado por Henry. Daí em diante, temos um jogo: Henry e Anais enlaçam-se. Liberta Anais sexualmente, mas não tira de Anais uma inquiteção. Ela vive em constante incerteza: ama Hugo. Não ama. Henry, que logo é desenhado como o homem de sua vida, mais tarde, perde um pouco de seu encanto. Anais ama June. Não ama, sente raiva. Ama de Novo. Henry sempre ama June, Anais ocupa seu espaço. Não, Henry ama Anais, June é um tormento do qual precisa se livrar. Não, Anais ama os dois. Ao mesmo tempo, Anais sente-se atraída por seu psiquiatra, Allendy, e ainda sente atração por Eduardo, seu primo, affair do passado. Sente desprezo pelo marido Hugo. Sente ternura por Hugo. Henry, Henry. Ele é o homem. Ou não? Henry, Henry. É assim, jogado no mar de inquiteções amorosas de Anais, que o leitor se sente.
Uma experiência interessante ao final da leitura, é retornar ás páginas inicias, quando Anais apenas tem seu casamento incerto na cabeça, e sua relação com Eduardo. A leitura dessas páginas com as outras, as posteriores à sua relação com Henry-June, mostra o choque gigante que o casal trouxe à vida dela. Resumindo: pernas pro ar.
Dizem que este é seu melhor livro. Não sei, a única coisa que li foram alguns contos pornográficos, que a própria autora disse que são ruins, já que ela escreveu apenas para divertir-se e ganhar dinheiro com eles. Quem sabe leio um romance dela, mas duvido que seja maior do que Henry Miller, seu grande amante.
O final do diário deixa o resolução do triângulo Henry-June-Anais em aberto. Não fui atrás, não pesquisei. Sei que Anais não casou-se com Henry. E sei também que esse livro é muito bom. Denso.