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    Perseguição e a Arte de Escrever - E outros ensaios de filosofia política

    Leo Strauss

    É Realizações
    2015
    208 páginas
    6h 56m
    ISBN-13: 9788580331943
    Português Brasileiro
    5.2
    4 avaliações
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    Favoritos1Desejados36Avaliaram4

    A redação dos ensaios reunidos em Perseguição e a Arte de Escrever data de um dos períodos considerados mais produtivos e decisivos da carreira intelectual de seu autor. No ensaio introdutório, Strauss trata da relação entre filosofia e política e chama a atenção para a importância do contexto em que determinadas obras foram escritas a fim de se chegar a uma compreensão efetiva do que elas dizem. No segundo ensaio, cujo título dá nome a este volume, apresenta-se a distinção entre escrito esotérico e exotérico, bem como a necessidade de um tipo peculiar de leitor, capaz de encontrar as verdades cruciais do texto nas entrelinhas. É com base nesta distinção que Strauss elabora o procedimento de leitura que será empregado nos ensaios posteriores, dedicados à obra de Moisés Maimônides, Judah Halevi e Baruch de Spinoza. Muitos dos temas recorrentes na obra de Leo Strauss se mostram neste volume: a expressão filosófica em contextos de perseguição política; o problema teológico-político; a tensão entre revelação, filosofia e moral; o ceticismo perante a autossuficiência da razão e a maneira pré-moderna de filosofar, entre outros. Estudiosos encontrarão nesta obra uma maneira perspicaz de aproximar-se de textos filosóficos pré-modernos. "A perseguição dá origem a uma técnica de escrita peculiar e, com ela, também a um tipo de literatura peculiar, na qual a verdade sobre todas as coisas cruciais é apresentada exclusivamente nas entrelinhas. Essa literatura possui todas as vantagens da comunicação privada sem padecer, porém, de sua grande desvantagem, isto é, do fato de só alcançar os conhecidos do autor. possui também todas as vantagens da comunicação pública sem ter a maior das desvantagens: a pena de morte imposta ao autor."

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    Resenhas (1)Ver mais
    Marcelo Gabriel Delfino picture
    Marcelo Gabriel Delfino18/12/2015Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Parece um livro simples, falando sobre o que pode motivar os grandes autores a “esconder” dentro de seus textos o que realmente pensam. Mas, na verdade, é um livro denso e extremamente complexo. A começar pelos autores comentados por Leo Strauss: Maimônides (um completo desconhecido para mim), Yehuda Halevi e Espinosa. Mostrando uma erudição rara e capacidade de interpretação muito além do habitual, os ensaios vão estabelecendo novas interpretações sobre os autores. A tese do livro é enunciada desde o princípio: os grandes autores desviam a atenção do público não iniciado através de um método de escrita peculiar. Logo, não se deve tomar suas afirmações de forma chapada, literalmente. Um dos motivos é o risco de vida que determinadas épocas impunham aos escritores e filósofos. No entanto, o mais interessante é a diferença entre o mundo ocidental e o oriental. Para nós, ocidentais, a filosofia se desenvolve paralelamente à interpretação da Bíblia, o que não acontece para os orientais e judeus. Para eles a Lei não pode ser questionada, sendo crime ou pecado fazer comentários sobre Ela. Em nosso caso, o saber que surge ao lado do saber das Escrituras ganha status e não se torna ofensivo, ao contrário, os livros podem se referir às Escrituras como bem entenderem. O saber sagrado é posicionado ao lado de todos os outros, sem preferência ou exclusividade. Essa diferença é fundamental para entendermos porque o saber ocidental se desenvolveu até o ponto da heresia e ninguém se importa, enquanto um mero comentário, uma poesia, qualquer escrito, pode ser considerado ofensivo fora do ocidente.

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    Leo Strauss

    Filósofo político e professor teuto-americano de origem judaica, especialista em filosofia política clássica. Tentou compreender as interpretações medievais islâmica e judaica de Platão e Aristóteles e aplicá-las à teoria política contemporânea.

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    Leo Strauss