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    Coleção João do Rio - 3 Volumes

    João do Rio

    Carambaia
    2015
    800 páginas
    1d 2h 40m
    ISBN-13: 9788569002062
    Português Brasileiro
    4.4
    23 avaliações
    Leram26Lendo0Querem52Relendo0Abandonos2Resenhas4
    Favoritos0Desejados52Avaliaram23

    João do Rio foi o pseudônimo mais famoso de Paulo Barreto (1881-1921), um dos autores mais conhecidos – e controversos – do início do século XX no Rio de Janeiro. Cronista prolífico, ele também foi crítico de arte, escreveu romances, ensaios, contos, peças de teatro, conferências sobre dança, moda, costumes, política. A Coleção João do Rio, próximo lançamento da CARAMBAIA, é composta por três volumes: Crônica, Folhetim, Teatro. Eles reúnem uma seleção de crônicas, reportagens, contos ficcionais, entrevistas, peças, sainetes, folhetins e artigos produzidos entre 1899 e 1919. Boa parte dos textos nunca saiu em livro, apenas nos jornais – que permaneceram mais de 100 anos guardados em arquivos e bibliotecas. Até mesmo os romances e crônicas que o próprio autor editou em livro estavam há décadas fora de catálogo. João do Rio trabalhou a vida toda em jornais e revistas. Ele foi pioneiro como repórter e criou um estilo de texto híbrido de literatura e reportagem, ficção e realidade. Mudou o modo de fazer jornalismo e ajudou a fundar a crônica moderna. O escritor que conquistou uma vaga na Academia Brasileira de Letras aos 29 anos era um personagem de múltiplas facetas. Usou sua pena para denunciar a miséria, foi porta-voz do povo humilde, que não tinha espaço na imprensa. Inovou ao deixar a redação do jornal e ir para a rua, subir o morro e percorrer os subterrâneos da cidade, para revelar a seu leitor um Rio de Janeiro desconhecido. Ao mesmo tempo, acompanhando as transformações da capital, que vivia, naqueles primeiros anos de República, a fase de sua Belle Époque, João do Rio foi também o cronista dos salões e recepções elegantes da alta roda – a elite que tentava se sofisticar e imitar os estrangeiros. João do Rio percorreu o mundo, colecionou admiradores e desafetos. Gordo, mulato e homossexual, vestia-se como um dândi – com, por exemplo, um fraque verde combinando com a bengala, cartola e monóculo. Vítima de um ataque cardíaco que o impediu de completar 40 anos, ele deixou 25 livros e mais de 2.500 textos publicados em jornais e revistas. O projeto gráfico da caixa preparada pela CARAMBAIA foi desenvolvido por um grupo de arquitetos e designers reunidos especialmente para o trabalho e inspirou-se na relação do cronista com aquela que considerava a musa urbana, dotada de uma alma encantadora – a rua.

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    Denise Maria Souza João picture
    Denise Maria Souza João27/10/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Rio de Janeiro, início do séc. XX. Numa época em que os jornalistas praticamente não saíam da redação, João do Rio foi às ruas entrevistar as pessoas; subiu o morro para saber como viviam aqueles que, na modernização do Rio de Janeiro, no início do séc. XX foram expulsos de suas habitações no centro da cidade e acabaram criando as favelas; defendeu a colônia portuguesa, em especial, os pescadores, o que lhe valeu muitos inimigos. Foi membro da ABL. Circulou pelas altas rodas sociais, mas também fez amigos entre as pessoas mais humildes. Morto aos 39 anos em virtude de um enfarte fulminante, estima-se que 100.000 pessoas, de todas as classes sociais, compareceram ao seu velório. Escreveu: “Se a minha ação no jornalismo brasileiro pode ser notada é apenas porque desde o meu primeiro artigo assinado João do Rio eu nunca separei jornalismo de literatura, e procurei sempre fazer do jornalismo grande arte.” Como jornalista e leitora entusiasta, concordo e agradeço. João do Rio é uma grata descoberta - tardia - neste 2018. Crônicas: Com a mesma desenvoltura como transitou entre pobres e ricos, João do Rio escreveu sobre sociedade, miséria, religião, hedonismo, esporte, paixão, homossexualidade, trabalho, questões superficiais e questões profundas. Todas as crônicas são maravilhosas, mas destaco algumas: Gente às janelas O último burro Na favela O reverso Impotência Ódio A honestidade de Etelvina, amante... O Brasil lê 27/03/18 - ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️ Folhetim: São duas histórias: “A profissão de Jacques Pedreira” e “Memórias de João Cândido, o marinheiro”. Decidi ler primeiro sobre João Cândido, o Almirante Negro, pois era a novela mais curta. Fiz bem, pois exceto pelo relato de João Cândido na prisão, todo o mais, incluindo a Revolta da Chibata, da qual foi o líder, é muito superficial e corrido. Fiquei decepcionada. Já a outra história é sobre um dândi da alta sociedade, muito mimado, que passa a ser pressionado por seu pai para que trabalhe. Horrorizado, ele até comparece ao escritório uma vez ou outra, mas acaba desviando sua atenção para outros propósitos. É possível sentir a ironia de João do Rio nesta narrativa cheia de futilidades, mas o problema é que Jacques Pedreira carece de simpatia. Não me conquistou. 29/05/18 - ⭐️⭐️⭐️ Teatro: Eu tenho uma certa dificuldade em ler textos teatrais por causa do formato. Mas me senti muito à vontade lendo as peças de João do Rio. Das três, “As quatro fases do casamento”, “Eva - a propósito de uma menina original” e “Que pena ser só ladrão”, a que menos me agradou foi Eva, que das três é a mais famosa. Gosto das sutilezas e ironias de João do Rio quando escreve sobre a alta sociedade, mas o enredo não me agradou, só quando há um acontecimento insólito - e aí realmente fiquei interessada -, mas que acaba servindo de base para um romance, o que achei bem aborrecido. Gosto igualmente das outras duas por motivos diversos: “As quatro fases do casamento” é um teatro mais psicológico; em quatro atos com nomes das fases da lua, retrata o curto período de um casamento, da véspera à espera do primeiro filho e os sentimentos que o acompanham: a empolgação, o desejo, a tranquilidade, a desconfiança, o descaso, a desilusão... é curto, mas muito impactante. Já “Que pena ser só ladrão” me divertiu muito, mas também me fez apreciar um texto inteligente contado de forma extremamente elegante; certas questões colocadas na peça são muito pertinentes, inclusive nos dias de hoje. 27/10/18 - ⭐️⭐️⭐️⭐️ João do Rio é definitivamente alguém que eu adoraria ter conhecido.

    7 curtidas

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    4.4 / 23
    • 5 estrelas39%
    • 4 estrelas52%
    • 3 estrelas9%
    • 2 estrelas0%
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    João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto profile picture

    João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto

    João do Rio foi o pseudônimo mais constante de João Paulo Emílio Coelho Barreto, escritor e jornalista carioca, que também usou como disfarce os nomes de Godofredo de Alencar, José Antônio José, Joe, Claude, etc., nada ou quase nada escrevendo e publicando sob o seu próprio nome. Foi redator de jornais importantes, como "O País" e "Gazeta de Notícias", fundando depois um diário que dirigiu até o dia de sua morte, "A Pátria". Contista romancista, autor teatral (condição em que exerceu a presidência da Sociedade Brasileira de Autores Teatrais, tradutor de Oscar Wilde, foi membro da Academia Brasileira de Letras, eleito na vaga de Guimarães Passos. Entre outros livros deixou "Dentro da Noite", "A Mulher e os Espelhos", "Crônicas e Frases de Godofredo de Alencar", "A Alma Encantadora das Ruas"

    30 Livros
    32 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto