Organizado por Iray Carone e Cida Bento (foto-capa), "Psicologia social do racismo" (2014) já está em sua sexta edição, firmando-se como uma importante fonte para a compreensão das relações raciais no Brasil.
Nessa coletânea de estudos, é possível observar que a ideologia do branqueamento, outrora forjada pelas elites brancas para exprimir seus medos e projeções quanto a crescente população negra, adquire novas conotações, todas a afirmar que "o desejo de branquear" é uma doença peculiar a esse grupo.
Tal discurso é forjado ao longo do tempo, com ares de naturalidade ("transmissão intergeracional de conteúdos inconscientes" - René Kaes), como um "acordo tácito" em que socialmente se convenciona não falar sobre racismo e encarar as desigualdades raciais sempre como um "problema do negro".
Sob o manto da neutralidade e da "transparência" racial, ao silenciar sobre sua própria racialidade, sua branquitude, o branco faz exacerbar a racialidade do negro - "A não percepção de si é condição para a não percepção do outro".
No cenário posto, para o avanço na luta por uma sociedade mais igualitária, o livro aponta que é fundamental compreender a relação existente entre o branqueamento e os processos de perda de identidade e de tomada de consciência da negritude.