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    O Si-Mesmo como Outro -

    Paul Ricoeur (Em Português)

    WMF Martins Fontes
    2014
    496 páginas
    16h 32m
    ISBN-13: 9788578278977
    Português Brasileiro
    4.3
    14 avaliações
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    O si, considerado a forma reflexiva de todas as pessoas gramaticais, remete imediatamente à questão da identidade: Quem é o locutor do discurso? Quem é o agente ou o paciente da ação? Quem é a personagem da narrativa? Quem é o responsável por um ato? Essa interrogação sobre a identidade leva a renovar a antiga dialética entre o Mesmo e o Outro, pois o outro pode ser dito de várias maneiras, e o si também pode ser considerado como outro. Os dez estudos que compõem esta obra são uma reflexão sobre o sentido e o destino das filosofias do sujeito. Caberá dizer sobre o Eu dessas filosofias que ora está de mais, ora está de menos? A hermenêutica do sujeito aqui proposta pretende ficar tão distante da apologia do Cogito quanto de sua destituição.

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    Jess Carmo14/07/2024Resenhou um livro
    3 (Bom)

    O si-mesmo implica a alteridade

    Para o autor, o si-mesmo, como ipseidade, implica a alteridade de tal forma que um não pode ser pensado sem o outro. Cada categoria passa por dentro da outra. Para ele, é paradigmático que as filosofias do sujeito formulem este como um "eu" e sem um confronto com o outro. Se acompanharmos a forma mais elementar do cogito, entendemos que o Eu é algo que pensa. Esse pensamento implica identificarmos alguma coisa, ou seja, "levar outrem a conhecer a coisa de que temos a intenção de falar" (p. 1). Por exemplo, pessoa é uma dessas coisas que falamos, não o sujeito falante. Todos os pronomes pessoais, adjetivos e possessivos estão dentro desses instrumentos de referência identificadora. O autor procura retirar todas essas categorias que ocultam a relação fundamental do si e do outro. Para isso, ele vai fazer uma cartografia de como essa dialética do si e do outro se estabelece dentro da tradição filosófica. Por fim, ele apresenta sua própria filosofia e ética do si como ipseidade.

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    Paul Ricœur profile picture

    Paul Ricœur

    Paul Ricœur foi um dos grandes filósofos e pensadores franceses. Ele desenvolveu contribuições para a fenomenologia e a hermenêutica, em constante diálogo com as ciências humanas e sociais. Ricoeur também interessou-se no existencialismo cristão e na teologia protestante. Seu trabalho está centrado nos conceitos de significado, subjetividade e na função heurística da ficção, especialmente da literatura e da história. Em 1936, licenciado em filosofia, criou a revista Être, inspirada nos preceitos de Karl Barth, teólogo cristão suíço. Em 1939, foi preso pelos nazistas e enviado ao campo de Groß Born; foi acadêmico na Universidade da Sorbonne. Passou também pelas universidades de Louvaina (Bélgica) e Yale (EUA), onde elaborou uma importante obra de filosofia política. Paul Ricœur participou de debates sobre linguística, psicanálise, o estruturalismo e a hermenêutica, com um interesse particular pelos textos sagrados do cristianismo. Em 1983, nos três volumes de Temps et récit (pt. "Tempo e narrativa"), o autor destaca as proximidades entre a temporalidade da historiografia e aquela do discurso literário. Pode ser encontrada aí a vontade de Ricoeur de ligar a reflexão filosófica sobre a natureza da narrativa com a perspectiva linguística e poética. Desde cedo, se interessou sobre a história desde uma perspectiva filosófica sem, no entanto, praticar uma filosofia da história. Em Histoire et vérité (1955; pt. "História e verdade"), ele tenta definir a natureza do conceito de verdade em história e diferenciar a objetividade em história distinguindo-a da objetividade nas ciências exatas. Anos mais tarde, ele se dedicará às questões culturais e históricas de uma perspectiva fenomenológica e hermenêutica. Ele fomenta então a discussão sobre a memória e a memória cultural em La mémoire, l'histoire, l'oubli (2000; pt. "A memória, a história, o esquecimento").

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    Auvérnia-Ródano-Alpes, França

    Paul Ricœur