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    Correntezas e outros estudos marinhos -

    Lívia Natália

    Ogum's Toques Negros
    2015
    156 páginas
    5h 12m
    ISBN-13: 9788569277019
    Português Brasileiro
    4.3
    24 avaliações
    Leram44Lendo1Querem47Relendo1Abandonos0Resenhas1
    Favoritos1Desejados47Avaliaram24

    O que falar da poesia de Lívia Natália? Ou melhor, como falar da poesia de Lívia? Como traduzir os sentimentos que vivi ao ser tragada pelas correntezas de uma poesia que parece sustentada pelas lembranças das águas primordiais? A poesia de Lívia Natália suavemente nos sugere um retorno às maternais correntezas, fluído espaço original, lugar concreto em que um corpo se solidifica. – Conceição Evaristo Navegar por entre os arrecifes de corais e ouro sedutor que se deposita em cada verso, em cada estrofe, em cada poema dessa jovem escritora, é pleno da tentação de ser você também água, água de banhar-se, água de beber, água de molhar o solo fértil da literatura brasileira. Para mim, já andado, mas eterno aprendiz dos intrincados e, por vezes, jamais revelados mistérios da poesia, é grande e honrosa a viagem de ter nas mãos as correntezas que por si só guiam barcos de velas enfunadas pelo sopro dos ventos e, às vezes, tempestades. Uma viagem na qual a escritora é leme, quilha, e o desafio de um oceano único, onde se mesclam as águas de uma Yemanjá com o seu sabor de sal e o doce, mas também aguerrido, sabor das águas de Oxum. – José Carlos Limeira

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    Ana Laura Silva Vilela14/11/2021Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    A poeta-água e a sofisticação dos e estudos aquáticos 🌊🌊🌊

    A leitura de poesia não é algo comum pra mim. Talvez porque sou uma péssima leitora, aquela que devora livros e depende deles para sumir da própria vida. Ler poesia é um gesto de esforço, uma tentativa de ser uma pessoa melhor, porque ela me melhora, não tenho dúvidas. Leio pouca poesia, o ascendente em capricórnio me exige a regra, ler pelo menos um livro de poesia por ano. E ter poesia na estante. Os livros de poesia são os que mais fazem sentido de possuir, se a gente algum dia possui qualquer livro. Livros de poesia são nômades, zigue-zagueando entre a estante, a cabeceira da cama e minha mente que de vez em quando é despertada por um verso. Sempre que leio poesia, enfureço, afinal, por que leio tão pouca poesia? E fico muito apaixonada pelo livro que acabo de ler (óbvio, se a leitura de um livro acaba em algum momento, ainda mais os de poesia). Infelizmente, estou apaixonada pela poesia dessa moça. Fui arrebatada. É tão bonito, tateia assim a pele, que eu gostaria de lembrar esses poemas de cor. O título é algo muito foda, promete esse lugar tão familiar e que nunca tínhamos ouvido alguém verbalizar. A poeta é correnteza. Aquática. Ela mesma é seu objeto de investigação. Essa minha invocação cientificista não é justa com a sofisticação do que é feito aqui, é mais uma tentativa de anunciar logo neste bilhete que sim, ainda que sejamos muito diferentes, nesta poeta pude tanto me encontrar. O corpo do pai, o corpo da mãe, a urgência de ter e tão logo matar esses corpos, para sempre, sempre venera-los. Entender o mundo a partir da materialidade de um corpo que é puro sentimento, água. Ressentir o sexo, porque traze-lo aos versos é faze-lo de novo, celebra-lo e também lamentar o vazio dos corpos que foram. O corpo da autora também se esvai. E o poema sobre a maternidade-livro. Aliás é reconfortante observar o estudo aquático sobre a escrita e a palavra, como algo que atravessa o livro, uma correnteza. Pena estar esgotado, tive de ler no kindle. Mas quero muito ter físico. A leitura de poesia é difícil em uma vida regulada pelo tempo mecânico, das listas, dos resultados. A leitura de poesia é difícil para leitoras vorazes, porque elas são as que serão devoradas.

    1 curtida

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    Lívia Natália profile picture

    Lívia Natália

    Lívia Natália é baiana de Salvador e, como boa filha de Oxum, foi criada nas dunas no Abaeté e, alimentada por Iemanjá, banhou-se na poética praia de Itapuã. Talvez por isso as águas sejam seu grande tema em Água Negra, livro de estréia, premiado pelo Concurso Literário do Banco Capital (2011), e Correntezas, publicado em 2015 pela Ogum's Toques. A literatura atravessa também sua atuação profissional, professora vocacionada, ensina Teoria da Literatura na Universidade Federal da Bahia, onde titulou-se Doutora em Estudos Literários. Mas a literatura é anterior: quando criança não tinha grandes narrativas a contar na volta das férias, então inventava. Nasce aí a ficcionista. A poeta vem desde sempre, descosendo o mundo. E é esta intimidade com as palavras que atravessa as Oficinas de Criação literária que ministra, seu ser e seu estar no mundo.

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    Bahia, Brazil

    Lívia Natália