O que se sente no momento do desencarne? Como é o primeiro contato com a nova dimensão? Com quem realmente vamos encontrar? Qual será a nossa nova forma de vida no Além? Mesmo aqueles que detêm o conhecimento das verdades espirituais tremem diante da possibilidade do desenlace, momento em que a vida terrena de fato se finda. O simples “pensar nessa possibilidade” os nivela às criaturas materialistas que nenhum conhecimento possuem sobre o “outro lado da vida”. E, embora as religiões, as filosofias e as tradições tenham procurado pesquisar, ao longo dos tempos, acerca desse “lugar inexplorado de onde nenhum viajante jamais retornou”, a morte sempre manteve o seu semblante oculto. No entanto, nesta obra de indiscutível valor, o grande cientista espírita Ernesto Bozzano reúne todas as revelações transcendentais que, do Além, nos apresentam uma panorâmica da verdadeira face da morte. E, pelos detalhes revelados por aqueles que a conheceram, ela não parece ser tão terrível como supomos quando estamos presos à carne. Ao contrário, os desencarnados nos mostram um mundo de eterna juventude, onde espíritos felizes vivem em uma nova e real dimensão. Abundantes informações obtidas mediunicamente a respeito do ambiente e da existência espirituais levaram o renomado autor a publicar este trabalho, certo de seu grande valor científico, moral e social. Portanto, tudo o que o leitor espírita gostaria de ver esclarecido sobre a vida no momento da morte foi reunido aqui com maestria.
A Crise da Morte - Espiritismo
Ernesto Bozzano
"O meio espiritual é o meio terrestre espiritualizado."
Nesta obra do autor Italiano Ernesto Bozzano, vemos um novo olhar sobre a morte. Vemos várias cartas de desencarnados que contam como se deu o momento do seu desenlace e sua chegada no plano espiritual. E ao final de cada uma delas o autor comenta fazendo uma análise através de sua pesquisas da época sobre o espiritismo e o mundo dos espíritos. São cartas bem interessantes e que trazem um consolo muito grande. A leitura é bem tranquila, fluida, e não tive dificuldades de acompanhar o raciocínio de Bozzano, mas também não posso fazer comparações com outros livros dele já que foi minha primeira leitura. A bagagem literária do autor possui muitos livros com títulos bem interessantes e com certeza vou ler outros de Ernesto. É um livro que ajuda muitos a buscarem a paz acerca desse assunto que a grande maioria teme. A morte é um fenômeno natural que temos que nos acostumar e buscar meios de compreender para nos acalmar e nos consolar, justamente pois o desconhecido causa receio e medos, mas quando temos uma visão mais ampliada, nossa perspectiva muda e essas leituras são muito bem vindas. Não digo que de um dia para o outro vamos mudar nossa opinião, mas é um começo. Acho que esses clássicos do espiritismo são muito importantes, e merecem mais reconhecimentos, não é porque são de outros séculos, que se tornaram "desatualizados", pelo contrário, são obras de imensa relevância e que deveriam ser mais estudadas e analisadas tanto por nós espíritas quanto dentro de centros espíritas. E que possamos agradecer a esses autores que tanto se dedicaram para deixar essas bagagens literárias para nós encarnados agora. "Não chego a compreender por que se exige que o mundo espiritual seja mais ideal do que o nosso. Os dois mundos são obra do mesmo Autor, quer este se chame Matéria, ou Deus." "(...) o meio espiritual é o meio terrestre espiritualizado." "No mundo dos Espíritos, há a força do pensamento, por meio do qual se podem criar todas as comodidades desejáveis..." "(...) o pensamento e a vontade, mesmo na existência encarnada, são suscetíveis de criar e de objetivar as formas concretas das coisas pensadas e desejadas, do mesmo modo que este fenômeno se realiza no meio espiritual, embora no meio terrestre semelhante criação não se dê senão por intermédio de alguns sensitivos especiais." "(...) o pensamento e a vontade são forças que possuem o poder maravilhoso de modelar e organizar, faculdades que, todavia, não se manifestam senão de maneira esporádica e sem objetivo, no meio terrestre." "Quase todos os desencarnados passam por um período de sono reparador, que pode durar um dia ou dois, como pode durar semanas e meses; isto depende das circunstâncias em que morreram." "Quando, entre os Espíritos recém-chegados, há os que se encontrem ligados por vivas afeições a outros Espíritos desencarnados algum tempo antes, estes últimos lhes acorrem ao encontro, antes que passem pela fase do sono reparador. Não se pode imaginar ventura maior do que a desses encontros no meio espiritual, após longas separações que pareciam definitivas. Se bem os Espíritos saibam que terão de separar-se ainda por certo tempo, não o lamentam, por estarem cientes de que estas separações já não serão quais as anteriores. E, quando os Espíritos recém-chegados despertam do sono reparador, seus guias intervêm, para informá-los do adestramento espiritual que a cada um se acha reservado." "(...) a morte não pode suprimir a afeição, nem impedir a reunião de duas almas que se amaram na Terra." "O meio que o recebe é determinado pelo grau de espiritualidade em que ele se acha. Por meio da morte, ganha a morada espiritual que preparou para si mesmo; não pode ir a nenhuma outra parte. São as suas qualificações espirituais que o fazem gravitar, com uma precisão infalível, para as condições de existência que correspondem matematicamente a seus méritos e deméritos." "O homem, depois da morte, vai para o meio que para si próprio preparou; não poderia ser de outro modo. Junta-se aos que se lhe assemelham; gravita para as legiões espirituais entre as quais se achará inteiramente à vontade, como em seu próprio meio, como em sua casa. Sua futura morada está no círculo da sua alma; seus companheiros espirituais são os seres que se lhe assemelham. Em outros termos: o Espírito desencarnado, por efeito da lei benfazeja e justa da afinidade, graças à qual cada um atrai o seu semelhante, gravita para o meio único que se pode adaptar às suas condições de evolução espiritual, de elevação moral, de cultura intelectual, conforme ele próprio as criou pela sua atividade terrestre. Vai para onde tem forçosamente que ir." "Somos seres construídos de pensamento, existindo em um mundo criado pelo pensamento, e tudo o que desejamos, tudo o que fazemos é pelo dinamismo do pensamento." "Estar morto significa estar animado de uma vitalidade diferente e extraordinária, de que a humanidade não pode fazer ideia..." "Bela também é a paisagem terrena, mas a celeste é muito mais maravilhosa..." "Logo após o instante da morte, o Espírito ainda se acha impregnado de fluidos humanos. Pelo que sei (e não é grande coisa) este fato significa que ele ainda está em relação direta com o meio terrestre; mas, ao mesmo tempo, está despojado do corpo carnal e revestido unicamente do corpo etéreo. Basta, pois, que dirija o pensamento a determinado lugar, para que seja instantaneamente transferido para onde o leva o seu desejo." "(...) todo pensamento que formulamos, quer para o bem, quer para o mal, fica registrado indelevelmente no éter vitalizado que nos impregna o organismo. Trata-se, em suma, de um processo fotográfico; com isto imprimimos e fixamos vibrações no éter e este processo começa desde o nosso nascimento..." "Eles chegam ao mundo espiritual com os sentimentos que os dominavam no momento da morte." "(...) é também de notar-se que as manifestações mediúnicas se produzem no momento exato em que parecem maduros os tempos, para serem compreendidas, apreciadas e assimiladas. Se as pancadas de Hydesville se houvessem produzido um século antes, teriam passado despercebidas e infecundas, como passaram despercebidas e infecundas as revelações de Swedenborg, nas quais já se encontra tudo o que estou analisando nesta obra. Por outras palavras: o advento das manifestações mediúnicas foi preparado e tornado possível pelas descobertas da Ciência, no domínio das ignoradas forças físicas e psíquicas que nos cercam de todos os lados, atravessando e saturando, à nossa revelia, os organismos de que somos dotados. Não havia mais que um passo a ser dado, para que se admitissem outras influências invisíveis, de substratum inteligente. Logicamente inevitável se tornou esse passo, desde que se observaram manifestações aptas a sugerir a sua possibilidade. Foi o que aconteceu. Cumpre, pois, se reconheça que a nova ciência da alma nasceu na hora precisa, no seio dos povos civilizados." "Que imensa alegria experimentamos, ao verificarmos que as nossas faculdades espirituais se reavivam; que certos dons espirituais, de que não tínhamos certeza, de que, durante a vida, apenas fazíamos vaga ideia, efetivamente existem e podem agora desenvolver- se e ser utilizados. Adquirimos confiança em nós mesmos; sentimo- nos, pela primeira vez, homens capazes de alguma coisa. E nisso não há unicamente uma consolação: há um encorajamento para a ação..." "A causa principal de tantos crimes no mundo dos vivos — isto é, a necessidade que cada um tem de alimentar-se — não existe aqui. Ou, com maior exatidão, não temos mais necessidade de alimentar- nos, no sentido preciso do termo, se bem que aqueles dentre nós, que ainda queiram satisfazer ao prazer de se alimentarem, possam proporcionar a si mesmos a sensação de que o fazem..." "(...) o corpo se pode comparar a uma roupa muito apertada, de que o Espírito se reveste; trata-se, porém, de uma roupa que não contém mais do que uma seção especial do Espírito, porquanto a parte, que é de muito a mais importante da nossa personalidade espiritual, se conserva em estado latente, quase inconsciente, nas profundezas da subconsciência. Mas, quando o Espírito se desembaraça do corpo, as coisas mudam de aspecto; a parte latente desperta em plena eficiência, realizando todos os poderes. É essa uma sensação maravilhosa e deliciosa para os Espíritos desencarnados..." "Não temais a morte; não há o que temer; todas as penas, todas as dores, tudo o que há de feio na grande crise, pertence ao seu lado físico; do outro lado, há o amor — o divino Amor — combinado com a glória inexprimível do despertar espiritual." "Embora a natureza deste mundo difira enormemente da Terra, os dois mundos se assemelham, com a diferença, porém de que o mundo espiritual é infinitamente mais apurado, mais sublime, mais etéreo: eis tudo." "Aquele que me soube perdoar é o mais sublime dos homens (...)"
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