O livro Nietzsche: Seminários de 1937 e 1944, de Martin Heidegger, é uma obra que reúne as anotações dos cursos que o filósofo alemão ministrou sobre o pensamento de Friedrich Nietzsche, considerado por ele o último metafísico da filosofia ocidental. Nesses seminários, Heidegger analisa as principais obras e conceitos de Nietzsche, como a vontade de poder, o eterno retorno do mesmo, o niilismo, a morte de Deus, o super-homem, a arte e a verdade.
Heidegger mostra que a questão do ser, que é o tema central da sua própria filosofia, foi também a questão diretriz para Nietzsche, mas que ele a interpretou de forma equivocada, transformando-a na questão pela vontade de poder como o ser do ente. Segundo Heidegger, Nietzsche não conseguiu superar a metafísica tradicional, que se baseia na representação do ente como objeto, mas apenas a levou ao seu extremo, culminando no niilismo, que é a negação de todo valor e sentido. Para Heidegger, o niilismo de Nietzsche é a expressão do esquecimento do ser, que caracteriza a época moderna.
Heidegger propõe, então, um novo começo para o pensamento, que não se limite à metafísica da vontade de poder, mas que se abra para o evento apropriador (Ereignis), que é a relação originária entre o ser e o homem. Nesse sentido, Heidegger busca um diálogo crítico com Nietzsche, reconhecendo a sua importância histórica, mas também apontando os seus limites e equívocos. Heidegger afirma que Nietzsche é o último filósofo da era da técnica, mas também o primeiro a anunciar a possibilidade de uma outra era, na qual o homem possa se relacionar com o ser de forma mais autêntica e poética.