A vida de Mozart -

    Stendhal

    Revan
    2013
    92 páginas
    3h 4m
    ISBN-13: 9788571064744
    Português Brasileiro

    "Durante a execução de uma sonata, os ouvintes acharam que o anel de Mozart era mágico. Ele tirou-o do dedo. Surpreenderam-se as pessoas ao perceberem que, sem o anel, a música continuava belíssima. Aplicação, genialidade e encantamento marcaram a trajetória daquele que foi um dos gênios da música do século XVIII." "Você gosta de mim?" Em criança, Mozart costumava fazer esta pergunta às pessoas que o cercavam. E quando, brincando, elas lhe diziam que não, imediatamente lágrimas rolavam de seus olhos. Dono de um coração sensível e uma alma apaixonada, Mozart encantou as cortes europeias, revelando-se um gênio, cuja obra é eterna. Nada mais oportuno, no ano da comemoração do bicentenário do célebre compositor austríaco, aclamado no mundo inteiro: o lançamento pela Editora Revan , em segunda e incrementada edição, de A vida de Mozart, primorosa biografia elaborada por Stendhal. A infância, a fase mais profícua e extraordinária da vida do compositor, é enfocada mais detalhadamente. A descoberta da música aos três anos de idade, as primeiras apresentações, tudo é narrado de forma cativante e envolvente, num texto leve, acessível a iniciantes, mas que certamente agradará também aos apreciadores da música de Mozart, talvez o mais popular de todos os compositores clássicos, criador de obras-primas como A flauta mágica, Don Giovanni, As bodas de Figaro e centenas de outras.

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    Lucas Schönhofen Longoni07/02/2025Resenhou um livro
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    A origem de muitos mitos

    "Sua carreira foi tão curta quanto brilhante. Morreu aos trinta e cinco anos; mas nesses poucos anos fez um nome que não morrerá enquanto existirem almas sensíveis." Stendhal diz ser essa obra apenas uma tradução (do alemão para o francês) da primeira biografia de Mozart que apareceu na "Nekrolog auf das Jahr 1791" (ou obituário do ano de 1791, ano em que Mozart morreu), que contava a história de vida de Mozart e de outros que morreram nesse ano. O autor era Friedrich Schlichtegroll. Mas no mundo todo dedicam essa obra ao nome de Stendhal. Não se menciona exatamente por quê - se ele introduziu algo de novo, ou porque só ficou famosa com ele. No texto encontram-se, por ser a tradução de uma publicação de 1793, a origem de muitos mitos sobre Mozart: como procrastinou até o último dia para terminar a abertura de Don Giovanni, como compôs e entendeu o Requiem por encomenda de um senhor anônimo, como se dividiam por um lado seu gênio e por outro seu comportamento infantilizado etc. Verídicas ou não, essas narrações fizeram história. Notei especialmente um contraste entre o relato de Schlichtegroll e o de Noerbert Elias (que também dedica a Amadeus uma obra) sobre o maior sucesso ou insucesso em conseguir cargos fixos ao longo da vida. Schlichtegroll parece imputar o fracasso financeiro de Mozart (especialmente ao final da vida) ao compositor mesmo, por recusar ofertas e por ser desapegado quanto a suas produções e também muito gastador. Já Elias afirma que Mozart, junto com os esforços contínuos de seu pai, nunca teria conseguido um bom posto fora de Salzburg, e que em Viena tivera que lutar para a sua subsistência em uma situação (muito rara para a época, dado não haver um mercado desenvolvido para essa arte) como músico independente, isto é, sem contratos fixos com a corte. Mas seja por seu valor histórico, seja por sua exatidão com os fatos (o que não posso julgar), essa é uma obra que vale muito ser lida. É curta, com escrita leve, e certamente nos fará apreciar a música desse gênio com renovados olhos.

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