“Como ninguém é capaz de atingir essa tal felicidade de shopping center que é vendida por aí, formamos aos montes um bando de depressivos, uns sujeitos infantilizados que não conseguem lidar com o fracasso e se entopem de remédios para dormir, acordar, trabalhar, trepar... Parece paradoxal, mas é isso mesmo: A expectativa da felicidade é uma fonte poderosa de angústias e depressões.”
Se para Luiz Antonio Simas, os botequins são ágoras modernas, fontes de sabedoria e discussões da realidade, é possível afirmarmos que ele é um de nossos sábios modernos. Em seus ensaios no livro Pedrinhas Miudinhas, Simas novamente fala sobre a importância das ruas, da cultura popular, do Nordeste, dos terreiros e das encruzilhadas. Um Brasil pulsante, que não é o país que vemos em redes sociais e afins.
Tenho uma simpatia imensa por Luiz Antonio Simas. Desde que o conheci pela rede do passarinho azul, acompanho seu trabalho de perto e cada vez mais me identifico com sua forma de pensar e expressar o mundo. Tive a honra de assistir a uma palestra sua em Petrópolis e sair com o meu Corpo Encantado das Ruas autografado por esse botafoguense que encarna os saberes de rua como poucos.
Pedrinhas miudinhas teve sua segunda edição publicada pela Mórula em 2019, com adição de novos textos e traz o que Simas faz de melhor: Falar sobre a importância gigantesca das ruas, dos terreiros e dos índios para a nossa formação enquanto país. Para quem cresceu em lugares tão parecidos quanto os exemplificados pelo autor, é impossível não se identificar, tanto nas lembranças quanto nas dores de assistir quase impotente os rumos que tomamos enquanto sociedade.
Sincretismo, preconceito, macumbas, cultura indígena, samba, futebol, encruzilhadas, vida e morte, passando por exus, pomba-giras, boiadeiros e pontas-esquerdos, Pedrinhas miudinhas é mais do que um livro necessário, é uma experiência de alma, de encontro, reconhecimento e pertencimento. Experiência daquelas que não sai da cabeça e vira a chave de nossas próprias percepções. Sorte a nossa termos Luiz Antonio Simas.