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    Direita, volver! - o retorno da direita e o ciclo político brasileiro

    Camila Rocha

    Fundação Perseu Abramo
    2015
    304 páginas
    10h 8m
    ISBN-13: 9788576432920
    Português Brasileiro
    3.4
    5 avaliações
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    Nos dias que correm, a nova direita brasileira se põe diante de nós como uma esfinge: decifra-me ou te devoro. Decifremo-la antes que seja tarde demais.

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    Cid Roberto13/03/2016Resenhou um livro
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    Reemergência da direita desinibida

    Este livro da Fundação Perseu Abramo — http://novo.fpabramo.org.br/sites/default/files/Direita%20volver%20Final.pdf — constitui uma primeira tentativa de mapear o fenômeno do retorno da direita à cena política no Brasil, situando-o no contexto histórico e internacional. Procura traçar um quadro abrangente dele, que levasse em conta suas múltiplas dimensões e aspectos. Mas trata-se, é bom dizer desde logo, de um esforço preliminar, em dois sentidos. Primeiro, com os estudos reunidos procura explorar o campo da direita no Brasil, tal como ele se mostra agora, e esboçar alguns elementos de interpretação que ajudem a entender sua emergência e seu significado. Mas está inteiramente ausente do livro a pretensão de explicar o fenômeno e muito menos avançar em recomendações sobre como tratá-lo em termos práticos. Segundo, embora envolva vários colaboradores, este livro não resulta de um esforço coletivo, em termos estritos. Dada a urgência imposta pela conjuntura brasileira nesta quadra histórica, não dispúnhamos de tempo hábil para promover encontros e debates, a fim de apurar os nossos argumentos e dar-lhes maior unidade. O livro reflete, assim, a vontade comum em responder ao desafio intelectual e político lançado pela reemergência da direita desinibida entre nós. Mas os capítulos foram redigidos isoladamente por seus respectivos autores, a quem corresponde todo o mérito pelo trabalho realizado. No mesmo sentido, a responsabilidade pelo livro em seu conjunto, e suas eventuais falhas, é assumida exclusivamente aos organizadores, como eles afirmam abaixo. “Dizer isso é importante porque permite expressar um juízo, que é também uma aspiração: nós, organizadores, não entendemos a obra como a conclusão de um processo, mas como um simples começo. A partir dela, em parte com base nela, esperamos que venham criar-se as condições para um trabalho coletivo de reflexão e de pesquisa sobre as direitas no Brasil e na América Latina, que possa se materializar em futuras iniciativas, tais como seminários, encontros e novas publicações. Esse esforço coletivo de um grupo de investigadores poderia contribuir para a tarefa urgente de consolidar um campo de reflexão sobre a direita no país e na região, ainda muito incipiente entre nós. O livro que o leitor tem em mãos, composto da maneira acima referida, procura abarcar diferentes aspectos do fenômeno da direita. Iniciando por uma discussão teórica sobre as categorias inseparáveis de “direita” e “esquerda” no debate político, desde a Revolução Francesa – quando a distinção teve origem – até os tempos atuais, a obra avança para uma genealogia das direitas no Brasil e, em seguida, aborda diferentes faces do fenômeno brasileiro contemporâneo: a direita e o sistema partidário; a direita, o meio jurídico e o sistema judiciário; a associação com as forças policiais e sua intervenção no debate da segurança pública; sua presença nos meios de comunicação e na imprensa; a atuação na internet e nas redes sociais; as recentes manifestações de massas e suas vinculações com as classes médias tradicionais. Mas, ainda que focalize o Brasil, o livro não deixa de tratar a direita em perspectiva internacional. Nesse sentido, incluímos capítulos sobre: as células de agitação e propaganda da direita nos EUA; as origens do pensamento neoconservador norte-americano; as redes de institutos de difusão de ideias neoliberais – os chamados think-tanks – na América Latina e os evangélicos e a política latino-americana, este último uma contribuição traduzida, originalmente publicada em um dossiê da revista Nueva Sociedad. Contudo, o leitor não deve esperar uma abordagem exaustiva da reemergência da direita no Brasil contemporâneo. Nessa direção, importantes aspectos acabaram ficando de fora. Não foi possível incluir, por exemplo: um trabalho que desse conta das vinculações das direitas políticas com as distintas frações da burguesia ou do capital, em particular com a fração, hoje hegemônica, do capital financeiro; tampouco pudemos abordar as relações no passado, tão importantes, e ainda hoje não desprezíveis, das direitas com as forças armadas e os militares em geral. Esses e outros aspectos ficarão, como acima referido, para os futuros desdobramentos que, esperamos, o presente trabalho venha a ensejar. Por fim, uma palavra sobre o último capítulo do livro. Ele não trata, exatamente, da direita no Brasil ou em outro país qualquer. O tema do estudo é o processo político que levou à deposição do presidente eleito de um país vizinho. Incluir esse texto como fecho da coletânea nos pareceu necessário por dois motivos. Porque a experiência do Paraguai ilustra a perfeição de um traço saliente do comportamento da direita do século XXI, no Brasil e no continente. No passado, incomodada pelas políticas de governos populares, mesmo que moderadamente reformistas, ela apelava à intervenção das Forças Armadas, acenando com o fantasma do comunismo. Agora, descartada a hipótese de Direita volver dar um golpe militar [FNC: Por que não?!], os expedientes são outros. Mas a mudança é apenas de forma, militar ou civil, desferido por este ou aquele ramo do Estado, golpe é golpe. A derrubada de um presidente eleito, sem amparo em acusações alicerçadas em fatos concretos, para a qual se busca a legitimação formal do legislativo e/ ou do judiciário, tudo orquestrado pelos meios de comunicação de massas monopolizados é uma quebra da ordem democrática, tanto como o foram as quarteladas e pronunciamentos militares do passado. Dessa forma, este livro dentro da pluralidade de pontos de vista que o integram, não deixa de buscar um entrelaçamento da reflexão teórica e do compromisso com a prática política. Desejamos alertar os leitores dos perigos para a democracia e os avanços sociais recentes que decorrem da atual ofensiva das direitas coligadas no aparelho de Estado e na sociedade civil e, consequentemente, da necessidade de combatê-la. Contudo, tal enfrentamento não poderá ser bem sucedido, do ponto de vista da esquerda, se não se compreender a fundo o adversário. A desproporção de trabalhos acadêmicos existentes sobre ideologias, correntes e organizações políticas de esquerda, em comparação com aqueles devotados às suas congêneres da direita, aponta para o quanto a intelectualidade progressista desprezou as direitas, suas ideias, valores e sua capacidade de interpelar e mobilizar amplos setores e frações da sociedade. Grande parte do desconcerto atual frente ao caráter multitudinário das manifestações direitistas deste ano é um resultado dessa combinação de ignorância e desprezo. Nos dias que correm, a nova direita brasileira se põe diante de nós como uma esfinge: decifra-me ou te devoro. Decifremo-la antes que seja tarde demais.”

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    Camila Rocha de Oliveira

    Pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), é doutora e mestre em Ciência Política pela Universidade de São Paulo, com bacharelado em Ciências Sociais pela mesma universidade. Ganhadora dos prêmios de melhor tese de doutorado da Associação Brasileira de Ciência Política e Tese Destaque USP na área de Ciências Humanas, possui experiência na área de sociologia política com especial interesse em métodos qualitativos, comportamento político e cultura política. Atualmente é assessora parlamentar na Assembleia legislativa de São Paulo, o que lhe dá experiência e conhecimento de causa na esfera do poder público; sua expertise como investigadora social fez com que escrevesse diversas teses e livros que tratam do comportamento político da sociedade brasileira em seus mais diversos estratos sociais; Através de uma escrita fluída e acessível, a escritora consegue conversar e tratar de temas complexos e importantes da política nacional, mostrando uma forma alternativa de se pensar a política.

    7 Livros
    1 Seguidor

    Camila Rocha de Oliveira