RÅ«mÄ« nasceu em 1207, no território que hoje é o Afeganistão e faleu em 17 de dezembro de 1273, no que hoje é a Turquia. Ele foi um dos maiores poetas místicos (sufi) na língua persa, famoso por suas letras e por seu épico didático MasÌnavÄ«-yi MaÊ¿navÄ« (Dísticos Espirituais), que influenciou amplamente o pensamento místico e a literatura em todo o mundo muçulmano. O uso do persa e do árabe por RÅ«mÄ« em sua poesia, além de um pouco de turco, resultou em ele ser reivindicado de diversas maneiras pela literatura turca e pela literatura persa, um reflexo da força de sua influência no Irã e na Turquia. O momento decisivo em sua vida ocorreu em 1244, quando nas ruas de Konya ele conheceu um homem santo errante Shams al-DÄ«n de TabrÄ«z, que ele pode ter encontrado pela primeira vez na Síria. Shams al-DÄ«n não pode ser conectado a nenhuma das fraternidades místicas tradicionais; sua personalidade avassaladora, entretanto, revelou a os mistérios da majestade e beleza divinas. Durante meses, os dois místicos viveram próximos, e RÅ«mÄ« negligenciou seus discípulos e família, de modo que sua escandalizada comitiva forçou Shams a deixar a cidade em fevereiro de 1246. Essa experiência de amor, saudade e perda transformou RÅ«mÄ« em um poeta. Seus poemas ghazals (cerca de 30.000 versos) e um grande número de quadras refletem os diferentes estágios de seu amor. A identificação completa entre amante e amado é expressa pela inserção do nome de Shams em vez de seu próprio pseudônimo no final da maioria de seus poemas líricos. Sua linguagem rica, impulsionada por ritmos fortes, assume por vezes formas próximas dos versos populares. Segundo cronistas da época, grande parte desta poesia foi composta em estado de êxtase, induzido pela música da flauta ou do tambor, pelo martelar dos ourives ou pelo som do moinho de água em Meram, onde RÅ«mÄ« costumava ir com os seus discípulos para desfrutar da natureza. Ele encontrou na natureza o reflexo da beleza radiante do Sol da Religião e sentiu flores e pássaros participando de seu amor. Ele frequentemente acompanhava seus versos com uma dança giratória, e muitos de seus poemas foram compostos para serem cantados em reuniões musicais sufis. A tradução é fluida e a edição é uma excelente porta de entrada para quem quer conhecer a poesia persa, por que trás muitas poesias de várias coleções e estágios da vida e obra do poeta.
