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    Peter Handke: peças faladas -

    Peter Handke

    Perspectiva
    2015
    240 páginas
    8h 0m
    ISBN-13: 9788527310307
    Português Brasileiro
    4.5
    8 avaliações
    Leram15Lendo3Querem70Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos3Desejados70Avaliaram8

    Os conturbados anos de 1960 caracterizam-se por uma contestação aos mais arraigados princípios e valores da tradição ocidental. Em sua esteira, uma efetiva revolução não só comportamental como social propagou-se por todo o seu âmbito, tendo como promotor e agente principal o jovem. A juventude recusava-se a aceitar os valores e as regras recebidos e a ela impostos. O que dizer, como agir, aonde ir, tornaram-se objeto da sua confrontação com o status quo, o que se traduziu de maneira visível tanto em procedimentos culturais e intelectuais, quanto nas formas desafiadoras do seu rock "vestimental e capilar" e nos atrevimentos de sua linguagem oral. Tal é o contexto em que ocorreram, e em que se expressaram - os primeiros textos teatrais do escritor, roteirista e encenador Peter Handke. As Sprechtucke, Peças Faladas, como ele as denominou, falam por si mesmo desse testemunho cênico. Ao editar Predição, Insulto ao Público, Autoacusação e Gritos de Socorro, em cuidadosa tradução e análise de Samir Signeu, a editora Perspectiva o faz para transmitir pela força da palavra e, se possível, ao vivo da cena, a manifestação das figuras e do espírito dessa geração.

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    Higor picture
    Higor03/05/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    'Lendo Nobel': sobre a revolução rebelde

    Depois de um primeiro contato um tanto frustrante com 'Don Juan (narrado por ele mesmo)', romance contemporâneo de Peter Handke, eu optei por conhecê-lo através de suas peças, de preferência algo que remetesse diretamente a seus primeiros textos. A própria Academia Sueca enfatiza sua maestria no gênero, especificamente com o contracultural, revolucionário e além-tempo 'Insulto ao público'. Tal peça, aliás, está no aparentemente redundante, porém inteligente, título 'Peças Faladas', publicado bem antes do Nobel, ainda em 2015, pela editora Perspectiva, em que contém as quatro primeiras peças escritas pelo autor: 'Predição', 'Insulto ao público', 'Autoacusação' e 'Gritos de socorro'. Um adendo, o que não costumo fazer nas resenhas, para a edição da editora: além de se tratar de edição bilíngue, temos um prefácio muito eficiente sobre o cenário teatral e artístico da década de 50-60 na Alemanha, período precursor e que impulsou Handke a andar na contramão, além de explicações breves, porém interessantes, de Samir Signeu, sobre a peça, com pontos emblemáticos, esmiuçando a própria intenção do autor com a mesma, como iniciante e praticante rebelde da arte dramática alemã da época. As quatro peças, aliás, quando entendidas suas intenções e existências ante a personalidade, intenções e aspirações de Handke, explicam muita coisa, ou tudo, sobre a Alemanha de 1960, com o objetivo do autor de questionar e discutir, não somente o comportamento da época (pós-Guerra, é bom frisar), como a própria maneira de atuar, de se expressar, de questionar e discutir, temas revolucionários e polêmicos para a época. Tido como inovador, Handke rompe as barreiras do teatro ao tratar o teatro como metalinguagem, o chamado metateatro. É o teatro dentro do teatro, mas sem atuação, tanto que o autor não se refere as pessoas como atores, e sim como oradores, sem compor imagens, e sim apenas palavras soltas, proferidas no ambiente. As peças simplesmente, ou eficientemente faladas. Questionadas à época se seriam os iniciantes de uma nova escola dramática, e se tais manifestações se tratavam de antiteatro, metateatro, teatro pós-dramático ou teatro puro, as peças de Handke mostram o quanto o autor foi, de fato, revolucionário em seu tempo e eficiente em suas propostas, pois o leitor certamente vai fechar o livro após a leitura de cada peça e mastigar o que foi dito: a leitura pode não ter sido uma experiência pessoal boa, mas o texto em si, com toda a sua necessidade e mensagem transmitida, é bom, e certamente fará o leitor reconhecer, mesmo a contragosto, a admitir que é acertado, eficiente, e artístico. É impossível ler este livro e ficar indiferente. Um soco no estômago por conta de seu conteúdo, intenções e resultados, as ditas Peças Faladas foram revolucionárias à época, e são atemporais, pois funcionam muito bem nos dias de hoje em se tratando de questionar a encenação, o teatral, o dramático e até os comportamentos políticos e sociais, sem, no entanto, agradar a todos, afinal, é um insulto ao público. Este livro faz parte do projeto 'Lendo Nobel'. Mais em:

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    4.5 / 8
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    • 4 estrelas25%
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    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
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    Peter Handke

    Ganhador do Prêmio Nobel de Literatura 2019, Peter Handke é um dos maiores escritores de língua alemã. Tornou-se conhecido nos anos 1970 como roteirista de Wim Wenders e por obras como "O Medo do Goleiro Diante do Pênalti", "A Mulher Canhota" (também filmado por ele) e "Tarde de Um Escritor". Produto por excelência da dissolução do Império Austro-Húngaro e mais tarde da Iugoslávia (a mãe era eslovena, o pai austríaco), sua escrita é fortemente marcada pelo desassossego centro-europeu e das margens do Danúbio. Sua rebeldia é igualmente literária, com todo proveito para sua vasta e refinada obra.

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    Caríntia, Áustria

    Peter Handke