Debater a infraestrutura das rodovias que contornam as cidades se faz urgente. Pesquisas de instituições acadêmicas e de órgãos do setor de transportes, como o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), demonstram maior incidência de acidentes em trechos rodoviários próximos aos grandes centros urbanos. Brasil afora, o problema é conhecido: com o crescimento populacional e imobiliário das cidades, a área urbanizada avança sobre as interfaces limítrofes da rodovia, tornando as estradas vias de articulação para o tráfego local. Os impactos da interferência são evidentes: acidentes de trânsito, insegurança para os pedestres, poluição sonora, degradação de habitações lindeiras, redução da velocidade na via, conflitos de uso e ocupação do solo etc. A reportagem "Trechos urbanos de rodovias", que compõe esta edição de Infraestrutura Urbana, traz algumas soluções urbanas colocadas em prática em trechos de vias como a BR 101 Sul (PR/SC), BR 116 (RS), e Rodoanel Oeste (SP). O tema é complexo. A mitigação dos conflitos exige integração de planejamentos urbanísticos e rodoviários, capazes de lidar com fatores peculiares a cada trecho, como largura e uso das faixas de domínio, geometria da via, redirecionamento do tráfego, volume de circulação de veículos e pedestres. Também envolve revisões legislativas, com potenciais mudanças em planos diretores e leis de zoneamento. Como se trata de planejar os sistemas de transporte em conjunto com o uso e ocupação do entorno, a efetividade das iniciativas depende de uma adequada articulação entre os níveis de planejamento e execução das esferas municipais, estaduais e federais, assim como das comunidades envolvidas e das entidades da sociedade civil. Só assim será possível assistirmos, de fato, à celebração de convênios para a gestão do trânsito de trechos urbanos em rodovias e a intensificação da fiscalização nessas áreas. Muito mais do que apenas trevos ou anéis viários planejados de forma isolada. Mirian Blanco, editora
