O evangelista nada santo de Herzog
"O evangelista" (Patuá, 2015) vem a público para consolidar um estilo de escrever de seu autor, Manuel Herzog, que além de romancista é poeta com um Jabuti e tradutor. Assim como em "CBA - Companhia Brasileira de Alquimia" (Patuá, 2013), fatos aparentemente aleatórios vão sendo apresentados em primeira pessoa. Em "O evangelista", o narrador-personagem é um tipo descartável, sem nenhum traço característico de erudição e que, além de tudo, odeia poesia. Mas é escrevendo que ele se recicla numa ilha, tantas vezes mencionada, no "aqui-agora" da narrativa. Amante de mulheres e carros alemães, João Evangelista (Vange) perde sua boquinha no cartõrio após um crime. A crise que se instala leva-o a acreditar numa conspiração, a princípio de colônias de vírus que vão esgotar o planeta, depois de todos com quem convive. Aliás, à medida em que vai perdendo suas mulheres, passa a se desinteressar de seu carro, alemão, claro, blindado. As ironias, as atitudes cafajestes e até mesmo os chistes que levam o riso franco ao leitor está em toda a narrativa, como já ocorreu em "CBA". Já no livro em questão chama a atenção o diálogo franco com os Evangelhos, o que não poderia ser diferente. Ou poderia? "O evangelista" é um livro que prende, porque as contas não fecham. O grand finale é rápido, tudo se passa muito depressa, segurando o fôlego do leitor.

