"Ao aproximar-me da cidade sem nome já percebi que ela era amaldiçoada. Viajava sob a lua por um vale seco e terrível, e avistei lá longe a cidade projetando-se estranhamente acima das areias, tal como um cadáver às vezes projeta-se para fora de uma cova malfeita. O medo falava através das pedras ancestrais daquela decrépita sobrevivente do Dilúvio, esta tataravó das pirâmides mais antigas, e certas emanações invisíveis repeliam-me e ensejavam-me a fugir dos antigos e sinistros segredos que homem algum deveria ver e que homem algum jamais ousara ver. Perdida no deserto da Arábia permanece a cidade sem nome, despedaçada e em ruínas, seus muros quase completamente submersos sob as areias de incontáveis eras. Já deveria ser assim antes que as primeiras pedras de Mênfis fossem dispostas e no tempo em que os tijolos de Babilônia ainda não haviam sido fabricados. Não há lenda tão antiga que a possa dar um nome, ou que possa invocar memórias do tempo que a cidade ainda vivia, mas ela é citada em sussurros ao redor de fogueiras e nas tendas dos xeiques, por velhas avós, de tal forma que todas as tribos a evitam, mesmo sem saber porquê. Foi sobre essa cidade que o louco poeta Abdul Alhazred sonhou na noite antes de compor o inexplicável dístico: Não está morto aquilo que eternamente permanece: Após eras estranhas, a própria morte perece. (...)"
A Cidade Sem Nome
H. P. Lovecraft
Amazon Servicos de Varejo do Brasil Ltda
2015
17 páginas
34m
ISBN-10: B00AB2OT4K
Português Brasileiro
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