A Justiça

    France Farago

    Manole
    2004
    344 páginas
    11h 28m
    ISBN-10: 8520418562
    Português Brasileiro

    Dos conceitos de justiça, podemos retirar idéias situadas no campo da divisão: igualdade das partes, das relações ou proporção. Porém o princípio de igualdade é apenas um princípio regulador. Esse esquema, a imagem do gládio que golpeia qualquer um que comprometa a paz que a lei faz reinar, não esgota a extensão semântica do conceito. Além se seu significado legal, a justiça apresenta-se como uma virtude individual. Qual é, então, a razão pela qual a modernidade atribui a injustiça global somente à sociedade? As tradições greco-latina e judaico-cristã desenvolveram uma antropologia que situa a iniquidade no seio da natureza humana, e propuseram, como finalidade da existência, o esforço em direção ao melhor e ao digno. O conceito moderno veio privilegiar a distribuição equitativa dos bens de consumo, porém isso tende a ser substituído pela dimensão qualitativa. A Justiça, obra atualizada pelos debates contemporâneos, ao mesmo tempo em que permite melhor compreender esse processo, contribui para restabelecer a abordagem filosófica da justiça, reconciliando-se, dentro das condições de nossa época, com o ideal de expansão humana que sustenta essa abordagem. France Farago, professora titular de filosofia, professora dos cursos preparatórios para a ENS (école Normale Supérieure), publicou L'art (1998), Les grands courants de la pensée antiqu, Les grands courants de la pensée politique (1998), Le christianisme, le judaisme, I'Islam et la pensée occidentale (1999) e La Nature (2000).

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    Adriana Moraes02/01/2017Resenhou um livro
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    A justiça - uma visão filosófica

    Quando pensamos em justiça, o que nos chama atenção é a anterioridade e a universalidade de sua petição: sempre presente sob o aspecto de esperança frustrada, exigência revigorada por uma constatação de injustiça, denunciada por um escândalo que clama por justiça. A justiça corresponde de fato a uma das mais antigas aspirações em todas as sociedades, não importando qual seja a forma de sua organização, de seu sistema. Em todos os lugares, o Estado, mesmo em seus aspectos mais primitivos, sempre se constitui baseado na função de justiça. Na Bíblia, o livro dos Juízes precede dos Reis e, na Grécia antiga, em uma época muito remota, a função de soberania teve um papel comparável àquele que ela manteve nas grandes civilizações do Oriente Médio. “Pastor de homens”, o rei mantinha um comércio com os deuses que fazia dele um “mestre de justiça”. Na arqueologia do Estado, a justiça é a primeira das funções que chamamos régias. Neste contexto, a justiça tem a sua representação como o ideal a ser feito, algo como uma partilha, uma distribuição de igualdade das partes, igualdade das relações ou proporções. A justiça na sua forma mais nítida significa dar a cada um aquilo que é seu, ou ainda um poder, aquele que é encarregado de preservar o direito de cada um. A justiça também é apresentada na consciência moral como uma virtude moral. Assim, fala-se de um homem justo. Já em uma dimensão coletiva e social, a justiça é a qualidade das estruturas básicas de uma sociedade concebida como processo distributivo. E por fim a justiça é também algo que exprime na decisão judiciária sendo feita, como a pena infligida na decisão ao culpado para que este restitua o equilíbrio que seu crime rompeu.

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