Sonhos, mistérios, insinuações, pilares, labirintos, imortais, turbantes, camelos. Bibliotecas. Uma moeda, um Zahir, um Aleph. Jorge Luis Borges constrói uma mitologia própria que fascina qualquer leitor. O Aleph é um banquete cultural, uma exaltação da palavra. Um presente para os leitores.
A coletânea de contos que vai de "O imortal" ao "O Aleph traz a essência do que representou Jorge Luis Borges para a literatura. Abordando os temas que tão bem o caracterizam, o autor apresenta um domínio invejável da escrita, entrelaçando real e fantástico e deixando claro que o elo entre estes dois mundos é a palavra. Cabe aos livros, cabe a própria literatura, a tarefa de imortalizar nossa cultura, de elevá-la. As bibliotecas Borgeanas são o grande portal entre o trivial e o sublime. Somos convidados a adentrá-las e nos perdermos em seus labirintos.
Aceitando o convite de Borges acabamos por nos surpreender. Dos pilares da cultura greco-romana que formaram o ocidente aos mistérios da cultura árabe. Tudo se entrelaça e se confunde. De Homero às Mil e Uma Noites. O belo, o fantástico, o incrível, o sagrado. Parece haver uma linguagem comum entre os diferentes povos. Há um plano mais elevado em que tudo parece convergir. A escrita de Borges é um projeto de universalidade capaz de desbravar a humanidade em suas mais diferentes facetas, encontrando-a até mesmo em um Minotauro.
O Aleph atinge os bordos de onde a literatura pode chegar. A elegância de Borges é incomparável, como eram a vastidão do seu conhecimento e a sua habilidade de transpor este conhecimento em texto. Tem que ler.