Crítica da Razão Prática é uma das principais obras de Kant. É uma espécie de contraponto da Crítica da razão pura que o filósofo havia publicado alguns anos antes. Esta se caracterizava como pura especulação metafísica, enquanto que a primeira visa, de modo particular, a considerar a razão um fato real que leva o ser humano a raciocinar sobre os elementos fundamentais de seu princípio e de seu fim em sua existência, sobre os elementos adicionais ou periféricos que o induzem a refletir sobre o bem e o mal, sobre a felicidade e os meios de conquistá-la, sobre as necessidades e exigências que sente ou que se impõe, sobre sua finitude e sua liberdade frente ao imanente e ao transcendental. Estes questionamentos que partem do intelecto do homem na observação do mundo sensível devem ter uma resposta pelo menos satisfatória, se não puder ser definitiva. A razão consegue propor soluções a estas questões? É o que Kant tenta provar por meio desta obra.
Crítica da razão prática (Coleção Grandes Obras do Pensamento Universal #62) -
Immanuel Kant
Lista de livros: Crítica da Razão Prática, de Immanuel Kant
Parte I: Ser consequente é a máxima obrigação do filósofo; entretanto, é o que menos se observa. As antigas escolas gregas nos apresentam muitos exemplos dessas virtudes, exemplos que não encontramos nesta época sincretística, na qual se constroem com princípios totalmente contraditórios sistemas conciliadores, destituídos de solidez e boa fé, porque se recomendam melhor a um público que se satisfaz com saber um pouco de tudo, sem saber afinal coisa alguma, pretendendo, contudo, tratar de todos os assuntos. * A quem convém o efeito convirá também a causa. * Age de tal modo que a máxima de tua vontade possa valer-te sempre como princípio de uma legislação universal. (...) A regra prática é, portanto, incondicionada, sendo, por consequência, representada como proposição categoricamente a priori, em virtude da qual a vontade é determinada, objetiva, absoluta e imediatamente (pela mesma regra prática que aqui, evidentemente, é lei). Com efeito, a razão pura, em si mesma prática, aqui resulta imediatamente legisladora. A vontade é concebida como independente de condições empíricas e, por conseguinte, como vontade pura, determinada mediante a simples forma da lei, sendo esse motivo de determinação considerado como a suprema condição de todas as máximas. * Mais do blog Lista de Livros em: https://listadelivros-doney.blogspot.com.br/2017/07/critica-da-razao-pratica-parte-i.html XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX Parte II: O sumo bem só é possível no mundo enquanto for admitida uma causa superior da natureza, causa essa que encerre uma causalidade consoante à disposição de ânimo moral. Um ser, portanto, que é capaz de ações segundo a representação de leis, constitui uma inteligência (ser racional), sendo a causalidade de um ser semelhante, segundo essa representação das leis, uma vontade do mesmo. Assim, portanto, a causa suprema da natureza, enquanto for ela um pressuposto para o sumo bem, é um ser que, por razão e vontade, constitui a causa (consequentemente, é o autor) da natureza, isto é, Deus. Por conseguinte, o postulado da possibilidade do sumo bem derivado (um mundo ótimo) é ao mesmo tempo o postulado da realidade de um sumo bem originário, isto é, da existência de Deus. Constituía um dever imposto a nós mesmos fomentar o sumo bem; por isso, não só era um direito mas também uma necessidade arraigada ao dever, como exigência, pressupor a possibilidade deste supremo bem, o qual, ocorrendo apenas sob a condição da existência de Deus, congloba inseparavelmente a suposição do mesmo para com o dever, isto é, torna-se moralmente necessário admitir a existência de Deus. * Acredita sempre que é uma abominável iniquidade preferir a vida à honra, e por amor à vida perder o que a torna digna de ser vivida. (Juvenal) * Por fim, acabamos por amar aquilo que consideramos como fator principal de conhecimentos amplos no uso mais extenso de nossas faculdades cognoscitivas, extensão esta que devemos precisamente e de forma especial àquilo onde encontramos a exatidão moral, porquanto nessa ordem de coisas podemos encontrar a razão perfeitamente enquadrada nos seus limites quando pode determinar a priori, segundo certos princípios, o que deva ocorrer. * Mais do blog Lista de Livros em:
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