Apostando novamente em um livro de fantasia nacional, dei de cara com essa capa fodona de O Teatro da Ira nas minhas pesquisas por aí e decidi ler o quanto antes. Dez dias depois, cá estou eu fazendo mais uma resenha, escolhendo as melhores palavras para recomendar o livro aos leitores.
A história concentra-se em Karis, onde o seu atual imperador Arteen II tenta conter a ameaça dos homens do norte. Ao mesmo tempo, no sul, mais precisamente na região de Illioth, rumores de uma rebelião começam a se espalhar, acirrando os ânimos e antecipando tempos de guerra.
Logo no primeiro capítulo somos apresentados a Jhomm Krulgar, um dos protagonistas da série. Perseguido por monges após um assassinato e acompanhado por alguns cães, Krulgar é gravamente ferido e, antes que seja morto, salvo por um estranho com tatuagem negra sobre o olho direito, que depois descobrimos ser Khirk, um dhäen, membro de uma antiga raça escrava que foi libertada pelo Império 20 anos atrás, mas que ainda sofre abusos em diversas regiões de Karis. Sua libertação não foi bem aceita em todos os lugares do continente, principalmente no Sul, ao redor de Illioth.
Um fato interessante a respeito dos dhäeni é a sua estreita relação com a música, onde todos dizem ser parte da "Grande Canção", uma força que rege o mundo para que suas vontades sejam realizadas. Esse tipo de magia pode ser usado para cura, crescimento e fortalecimento das pessoas, além de trazer tranquilidade e outras coisas, ajudando naqueles momentos de maior necessidade.
Krulgar levará sua vida destinado a ter vingança pelo que fizeram com a sua amiga Liliah, cujos detalhes macabros vamos descobrindo aos poucos. No seu caminho encontrará Thalla, filha de um importante mercador envolvido em todos os tipos de negócios. Ela tem a habilidade de entrar nos sonhos das outras pessoas, o que acaba fazendo com bastante frequência enquanto procura uma maneira de impedir a iminente rebelião sulista. É uma personagem para se ficar de olho.
Grahan, um magistrado em (aparente) missão de paz, e Ethron, um coen (mago ilusionista), também darão as caras no decorrer dos capítulos, mostrando aos leitores diferentes pontos de vistas sobre o que acontece em Karis. Diversos tipos de criaturas também são mencionados ao longo da narrativa, como ladrões de vidas, trolls, entre tantos outros. Se eles aparecerão? Leia e descubra! :)
O autor também teve o cuidado de criar uma nomenclatura própria para títulos de senhores, raças existentes e nações presentes na história, o que acaba deixando o leitor meio confuso nas primeiras páginas, mas vamos nos acostumando facilmente aos nomes conforme as páginas vão sendo viradas.
O Teatro da Ira é narrado em 3ª pessoa, pelo ponto de vista de vários personagens diferentes, o que deixa tudo ainda mais interessante, já que todos pensam e agem de maneira totalmente diferente.
O desfecho deixará o leitor ansiando por mais e mais, querendo saber o destino de alguns protagonistas e as consequências dos acontecimentos mirabolantes dos últimos capítulos. Certamente lerei os outros livros do autor e demais contos que aparecerem pelo caminho!
Com uma escrita bem direta, sem enrolação, misturando momentos de ação pura e ferrenhas intrigas políticas, deixo a indicação desse livro para todos aqueles leitores que são fãs d'As Crônicas de Gelo e Fogo e da trilogia A Primeira Lei. Vocês encontrarão muitos elementos em comum enquanto desbravarem O Teatro da Ira, melhorando ainda mais a sua experiência de leitura. ;)