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    A Instituição Imaginária da Sociedade -

    Cornelius Castoriadis

    Paz e Terra
    2007
    420 páginas
    14h 0m
    ISBN-11: 8577530302_
    Português Brasileiro
    4.4
    14 avaliações
    Leram40Lendo30Querem178Relendo0Abandonos3Resenhas1
    Favoritos6Desejados178Avaliaram14

    Esta obra não tem nada a ver com moda ou com qualquer espécie de misologia. Privilegiar a imaginação e o imaginário é propor, na perspectiva de Castoriadis, o despertar de um sono dogmático, o da ontologia 'identitária' da qual nem o próprio Marx escaparia e para o qual o ser teria sempre o sentido de ser determinado. Privilegiando o determinado, o acabado, tal ontologia petrificaria a realidade histórico-social, mascarando-a na sua dimensão de criação continuada.

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    Resenhas (1)Ver mais
    Paulo Vitor Mendes picture
    Paulo Vitor Mendes01/04/2025Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Achou que não ia ter resenha ? achou certo otario kkkkk

    Cornelius castoriadis, é um importante filosofo da segunda metade do século XX, que se debruça ao estudo de uma gama de assuntos sociais voltados para formação e compreensão da sociedade moderna. Grego, radicado na França desde 1945, Castoriadis foi militante politico durante toda sua vida, sendo filiado ao partido comunista francês e ao partido comunista grego, já na sua maturidade ele rompe com o marxismo, com o trotskismo (a sua corrente teórica) sai do partido e acaba que por optar por uma militância de cunho radical democrática, ao como ele vai dizer autonomia democrática. Um dos principais divulgadores do libertarismo e antcapitalismo Cornelius deixa sua marca na ciência sociais como uma vasta contribuição na área das humanas para compreensão da sociedade moderna. --Como eu disse, eu não sou maluco de tentar resenhar essa obra. Juro, eu endoidei no processo e não foi brincadeira. Vou deixar aqui alguns binômios chave para o conhecimento do livro-- A contribuição do autor e gigantesca, e ele propõem um método de analise da sociedade que enfim parece propor uma solução da crise material x ideal, o conceito de imaginário. A duras vistas temos na ciência social uma disputa em ordem de método que de um lado fala que o ideal, o abstrato o metafisico criou o mundo real e do outro lado fala que o mundo material criou o abstrato e sua cultura. De um lado culturalistas de outro marxistas, de um lado estruturalistas e economicistas de outro idealistas e hegelianos. Castoriadis para fugir ou superar isso, nos apresenta o conceito de imaginário (não confundir com imaginação) que é o que se estar no cerne de uma sociedade, ou seja, é o significado que damos os ritos, tradições atos e obrigações. É em outros aspectos a relação do homem ao observar o material e abstrair sobre ele, à medida que ele é criado por essa abstração. O autor pensa esse imaginário como um ciclo que cria e recria o mundo coletivamente. A sociedade é pelo imaginário criação e autocriação. Rejeitando qualquer conceito alheio a nossa própria realidade (qualquer salvação divina ou interferência abstrata) é o próprio homem que cria e recria a realidade à medida que é e não é influenciada por ela. Mas como o homem é coletivo ele imagina em conjunto, e coletivamente constrói o que podemos chamar de instituições imaginadas. Hora para determinada sociedade Deus e tão real como esse computador que você está olhando. E tão real os ritos e meios de tradição que levaram a humanidade a construir templos tão colossais para adora-los. A realidade é igualmente abstrata e material. Dentro dessas instituições imaginarias o autor nos apresentar outros conceitos, com o de “poder autônomo” e “poder heterônomo”. Nesse poder autônomo seria a organização coletiva humana, como de forma social nos organizamos em negativo a sociedade heterônoma. Que por sua vez é a tendencia dominante na organização das sociedades, onde temos uma relação desigual de poder, centrada em um grupo ou classe. Ou seja, são relações de poder dentro de uma sociedade de classe, a exemplo o capitalismo, e esse autonomia será a fuga desse modelo (mais com frente eu volto nesse assunto). Ainda instituído no heterônimo o escritor nos salienta a questão do poder explicito que seria as leias (a exemplos), normas e conjunto de regras que organizam um governo e o infrapoder, que estaria mais ligado a coerção, a tradição ao costume. Exemplificando, se você ultrapassar um sinal vermelho você e multado por que existe uma lei que proíbe isso, ou seja esse é um poder explicito, está literalmente escrito a proibição desse ato (aqui somos todos contra a máfia do DETRAN arrrr), agora se você é homem e sair na rua usando uma saia, ou um vestido você também vai ser repreendido. Mesmo não cometendo um crime, está implícito na sociedade as normas de comportamento e vestimentas que se dizem adequadas para o que se costuma chamar de homem ou mulher. Castoriadis entende a sociedade como um objeto em movimento, mas não no sentido objetivo dessa palavra, um movimento para onde? Ou para que? mas sim um movimento em círculo, em volta do caos. Um conjunto vivo que caminha pelas pernas do imaginário que hora se mata para se refazer e hora se refaze para não morrer. Sonhamos inevitavelmente com o real à medida que construímos o real em base dos nossos sonhos. O home moderno então, preso nesse paradoxo, é um homem morto. Para o autor a modernidade pariu um ser que primeiro nasceu morto, e no processo de inserção no imaginário coletivo alcança uma vida, mas não inteira, e sim pela metade. A forma metodológica que ele no apresenta e ferramenta fundamental para compreensão do mundo contemporâneo. Ou não seriam as redes sociais desejo e sonhos de um imaginário que agora se torna real e ate mesmo derrubam governos. Além disso, e método que nos permite alcançar dimensões de análise de figuras históricas esquecidas pela historiografia padrão. O quão interessante seria pensar os operários do século passado como figuras dotadas de sonhos e projeções, desejos e medos em seu oficio diário, que por fim imaginando uma sociedade mais justa construirão então novas instituições (sindicatos, URSS, mutualismo) à medida que foram engolidas pelas mesmas. Cornelius nos oferece a ferramenta para abrir o intestino de uma realidade social aparentemente inalcançável, ao unir matéria e sonhos, seria esse imaginário a chave para se entender os excluídos? Cornelius castoriadis tem uma obra vasta, publicou durante mais de 50 anos estudos importantes em diversas áreas do conhecimento, contribuiu com traduções do grego clássico, lecionou, orientou e construiu um castelo de papel e tinta. E aqui vemos o limite do trotskismo e da democracia liberal. Esse limite é dado quando o autor ao pensar em democracia, e em como o homem poderia fugir desse paradoxo do imaginário (criar e se recriar) somente pelo conceito de democracia autônoma. Recusando um marxismo e partindo de um conceito de libertarismo, o autor defende que essa superação cíclica da história so é possível por uma autonomia do pensar e do agir. Cornelius sonho. Viu-se em um mundo livre dos conceitos, entendeu que a palavra é uma amarra, fruto de um processo humano, a nossa própria prisão. Cornelius sonho. Viu que do alto jamais conseguiria resolver as insolúveis perguntas da pobreza humana, então construiu um castelo para se defender dessa ferra atônica que consome tudo que toca, uma fera chamada fome humana. Cornelius sonho. E viu um mundo composto por homens imortais em que a linguagem seria um pesadelo superado. Cornelius sonho. Sentou-se a beira de um rio cinza, de águas turvas, viu uma cidade irracional que volta-se em se mesmo. Cornelius sonho, e quando acordou se viu preso em seu próprio paradoxo, o castelo que construirá era na verdade labirinto, e ele ironicamente um Minotauro borgiano. O autor inova também ao aproximar termos aparentemente distintos. Bebendo na filosofia clássica de Platão e Aristóteles, conversa com Hegel e Kant. E ao pensar em seu conceito de socio história, acaba que por esbarra em um niilismo, como uma história cíclica, ou lidar com o absurdíssimo. Essa é sua prisão, por não conseguir superar esses conceitos acaba que preso na sua própria critica. Não consegue superar o modelo de democracia e nem superar uma realidade plausível. Castoriadis é então um Minotauro, aprisionado e um labirinto de contradições (a sua filosofia) e é borgiano pois ele tem consciência de si, de sua prisão, de suas limitações e acima de tudo, vem a sua tragedia, vaga de corredor em corredor a espera de um Teseu que o livre de todo mal. -- mds que livro difícil, e assim, eu li tudo e nem sei se eu entendi tudo, acho que não. Também aki não consegui colocar todos os conceitos que o autor trabalha, nem muito menos todos os pormenores que a obra se propõe a trabalhar. Por exemplo eu não falo do conceito de radicalidade. Gente, leia Castoriadis, e me expliquei, pq eu tentei e so coringuei--

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