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    Fama e anonimato (Jornalismo Literário) -

    Gay Talese

    Companhia das Letras
    2004
    536 páginas
    17h 52m
    ISBN-10: 8535904891
    Português Brasileiro
    4.4
    480 avaliações
    Leram883Lendo97Querem1184Relendo3Abandonos39Resenhas17
    Favoritos107Desejados1184Avaliaram480

    Textos que imprimem um retrato agudo do universo urbano de Nova York. Nas reportagens reunidas nesta antologia, o consagrado repórter americano ajudou a criar o "novo jornalismo". Publicado no Brasil em 1973 com o título de Aos olhos da multidão, o livro se tornou referência entre jornalistas e escritores. A edição inclui duas reportagens inéditas. No início dos anos 60, o repórter Gay Talese saiu pela ruas de Nova York e descobriu uma segunda Estátua da Liberdade, cuja única função seria confundir os desavisados. Constatou também que os nova-iorquinos piscavam em média 28 vezes por segundo; que sob chuva o movimento do comércio caía de 15% a 20%, mas menos gente se matava nesses dias; que um mergulhador ganhava a vida recuperando objetos perdidos no fundo da baía de Nova York; que as prostitutas promoviam anualmente um baile em homenagem aos cafetães da cidade, e que as faxineiras do Empire State encontravam mais ou menos 5 mil dólares por ano nas 3 mil salas do edifício. Fama e anonimato está repleto de informações assim: aparentemente inúteis, mas que, nas mãos de um escritor de primeira categoria, imprimem a textura real da cidade e o rosto de seus habitantes. Nas três séries de reportagens reunidas neste livro - a primeira, sobre o estranho universo urbano que é Nova York; a segunda, sobre a saga da construção da ponte Verrazzano-Narrows, e a terceira, sobre artistas e esportistas americanos -, Talese abriu a picada do que mais tarde seria batizado de "novo jornalismo" ou jornalismo literário, um tipo de reportagem que alia um texto de alta qualidade a um olhar que foge aos lugares-comuns. Foi esse espírito de observação que levou Gay Talese a escrever um perfil considerado exemplar pela leveza e audácia com que foi feito: "Frank Sinatra está resfriado". Nesse texto, incluído na terceira parte do livro, o repórter faz um retrato certeiro do cantor, sem que tenha conseguido entrevistá-lo. Publicado no Brasil pela primeira vez em 1973, sob o título Aos olhos da multidão, o livro se tornou uma raridade disputada em sebos. Esta nova edição traz dois textos inéditos em livro, que narram a feitura do perfil de Sinatra e das matérias sobre a ponte Verrazzano-Narrows, além de um posfácio do jornalista Humberto Werneck.

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    Alexandre Figueiredo picture
    Alexandre Figueiredo05/12/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A perdida arte de encontrar detalhes

    É incrível o quanto o jornalismo ainda exerce um peso importante na sociedade. Diferentemente do que pensavam (e ainda pensam) os anunciadores do apocalipse - de que não é preciso jornalistas no mundo -, ou ainda os adoradores do instante - em que qualquer um é jornalista, basta um bom celular -, fazer uma boa reportagem exige tempo e dedicação. Quando bem realizada, tem efeitos imediatos, geralmente devastadores sobre quem detém o poder. Mas, apesar de lutar para resistir diariamente, esse tipo de jornalismo, aguerrido e de combate, é ínfimo em todo o mundo. E pior: não é financiado, em sua maioria, pelos grandes conglomerados de mídia. Uma pena. Uma pena também é o fato de que gente do porte de Gay Talese, um dos pais do novo jornalismo estadunidense, movimento que utilizou artifícios de linguagem da ficção e os incorporou à não ficção, não tenha mais espaço (e tempo!!) na imprensa mundial. Talese nunca foi um jornalista que se detém ao factual. Sua matéria-prima é atemporal, duradoura: é a linguagem. E não importa qual personagem será revelada através do texto dele: podem ser os anônimos de uma cidade como Nova York ou um Frank Sinatra resfriado. Talese é um caçador de detalhes. Dividido em três partes, “Fama e anonimato” é um compilado da melhor produção de um dos grandes jornalistas do século XX. A primeira, intitulada “Nova York: a jornada de um serendipitoso”, conta sobre as mais inimagináveis informações possíveis que fazem parte de uma metrópole do mundo como Nova York. Apesar dos textos datarem da década de 1950, ainda é possível apreciar a habilidade do autor em querer mostrar o invisível cotidiano. Em sua segunda parte, “A ponte”, temos alguns dos textos menos agradáveis do livro. Mesmo perdendo força narrativa, uma seção em particular me chamou atenção: “Os índios”. Ela acompanha os indígenas canadenses caughnawagas que trabalharam na construção da ponte Verrazano-Narrows em Nova York, um dos mais notáveis trabalhos de engenharia de todos os tempos. A história de Talese sobre eles é um deleite para os bons apreciadores de textos inusitados. Mas a cereja do bolo, como diria o velho clichê, está realmente na arte de perfilar vidas. É na parte final, intitulada “Excursão ao interior”, que podemos conhecer o mítico texto sobre um inacessível e resfriado Frank Sinatra, uma viagem à personalidade do lendário ator Peter O’Toole, visualizar em detalhes o funcionamento da redação da revista Vogue na década de 1960, a germinação da revista mais importante de literatura do mundo, a Paris Review, ou conhecer as obsessões de um caricato obituarista do jornal New York Times. É enchendo a realidade com o que há de mais real que Talese oferece aos leitores a sua maestria. Por ser um livro com um tipo específico de texto, isto é, reportagens com máscaras de ficção, com algumas de suas peças com certeza datadas, “Fama e anonimato” talvez não seja o mais acessível dos livros que integram a preciosa coleção de Jornalismo Literário da Companhia das Letras. No entanto, meus caros, é uma leitura válida. Essencial para estudantes de jornalismo, jornalistas e simpatizantes da profissão, este livro não é mais a joia do bom jornalismo que Humberto Werneck afirma em seu posfácio, mas é, definitivamente, uma defesa gloriosa de uma era em que ser jornalista não era apenas recortar a realidade através de informações e fontes e colocá-la o mais rápido possível na internet em busca de curtidas e reações. Também é, isso sim, um dos mais notáveis exemplos da arte de contar histórias.

    33 curtidas

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    Avaliações

    4.4 / 480
    • 5 estrelas53%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas11%
    • 2 estrelas1%
    • 1 estrelas0%
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    Gay Talese

    Talese é um dos criadores do movimento que foi batizado de Novo Jornalismo, criado na década de 60, que incorporava no jornalismo características de literatura (descrição de cenas, diálogos e ponto de vista dos personagens). Escreveu perfis que entraram para a história do jornalismo, como os do cantor Frank Sinatra, o jogador de baseball Joe DiMaggio e os boxeadores Floyd Patterson e Joe Louis.

    15 Livros
    69 Seguidores
    Nova Jersey, Estados Unidos

    Gay Talese