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    E agora? - Coleção Jovens do Mundo Todo

    Odette de Barros Mott

    Brasiliense
    1982
    116 páginas
    3h 52m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    3.8
    91 avaliações
    Leram187Lendo15Querem85Relendo4Abandonos8Resenhas6
    Favoritos9Desejados85Avaliaram91

    Camila é uma garota pobre que é filha de pai branco e mãe negra. Ela tem vergonha da mãe e das duas irmãs, por serem negras, já que ela tem a aparência mais parecida com seu pai. Depois que seus pais mudam para outra cidade por causa do trabalho de seu pai, Camila passa a morar com sua madrinha para continuar os estudos. Ela acaba conhecendo Leo, com quem começa a namorar. Mas ela nunca disse para Leo que são os seus pais e de sua origem negra. E agora? O que acontecerá se Leo descobrir toda a verdade? ==== https://listasdelivros.blogspot.com/2021/08/odette-de-barros-mott-escritora-brasileira.html?m=1

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    Raquel Rocha picture
    Raquel Rocha14/10/2012Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Um preconceito sem fim....

    Odette de Barros Mott conta a história de Camila, uma adolescente filha de mãe negra e pai branco. “E agora?” começa com Camila morando em uma vila paupérrima com seus pais e duas irmãs. A personagem sofre calada com sua situação: filha de mãe negra herdou do pai a cor branca cabelos lisos e olhos quase verdes. Suas irmãs mais velhas, uma negra e outra mulata, a chamam de descamada e estrelada, têm inveja da irmã branca. A autora conta que quando crianças as três eram muito unidas, as mais velhas levavam Camila para todos os lugares, adoravam brincar com seu cabelo e a chamavam de bonequinha, porém, depois de passarem um ano fora trabalhando, as duas se afastaram da caçula e começaram a insulta-la com apelidos depreciativos contra sua cor. Nessa mesma época, em uma apresentação de escola, os colegas de classe da menina acharam estranha a mãe ser negra, caçoando dela. Só então Camila nota a diferença das cores, e percebendo o preconceito dos outros contra sua mãe e irmãs e a diferença de tratamento, sente vergonha delas. A partir desses fatos Camila começa a se afastar e se isolar da família. Ela não entende como o pai pode casar com uma negra tão feia. A família se muda da Bahia para São Paulo em busca de condições melhores. Enquanto o pai trabalha em uma fábrica e as irmãs em casa de famílias, Camila e a mãe ficam responsáveis pelos cuidados de casa, localizada em uma vila sem energia elétrica, rede de esgoto, banheiro e água corrente. Os pais acham Camila muito magrinha e nova para trabalhar (ela tem treze anos.) A mãe de Camila nota que a menina é muito quieta, tímida, quase não fala, se isola e se afasta, entretanto, atribuiu essas características a um “trabalho” de macumba. Ao longo da história fica evidente que os pais notam a forma ofensiva e ríspida com que as irmãs mais velhas tratam a caçula e o motivo desse tratamento, mas não fazem nada para que isso mude, evitam as brigas amenizando a situação, mas não vão mais fundo no assunto. Ao contrário de suas irmãs, Camila não expõe seu descontentamento com sua origem. Ela tem vergonha da mãe e das irmãs, acha que são feias e tem medo de ficar como elas, olhando-se constantemente para verificar se não escureceu. A sorte bate a porta de Camila quando uma visinha lhe oferece a possibilidade de trabalhar com uma senhora muito boa, que esta procurando uma acompanhante para sua vida solitária. As irmãs ficam extremamente enciumadas com a sorte da menina que é “contratada”, que não precisara realmente trabalhar como elas, terá seu próprio quarto, estudos, roupas novas e regalias que jamais terão. Logo que Camila se muda para casa de Dona Marcela o pai recebe uma proposta de emprego melhor para ele e as filhas no interior. Os pais decidem que a menina terá uma oportunidade de vida melhor se continuar os estudos com o auxilio da professora e decidem deixa-la aos cuidados da generosa senhora. Dona Marcela, muito gentil, cresceu como empregada em uma fazenda e depois cuidou dos filhos do patrão. Enquanto era babá estudava e assim, com muito esforço tornou-se professora. Ela não apresenta nenhum preconceito com a mãe e irmãs de Camila. E sempre ela que insiste que a menina visite os pais e a incentiva. Se dependesse de Camila ela não visitaria a família, pois sente vergonha e não gostaria que nenhum de seus novos amigos soubesse de sua origem. Para a menina é um alívio quando a professora se oferece como madrinha, pois assim, com a família longe e podendo chama-la de madrinha poderia levar seus amigos para SUA casa sem que ninguém perguntasse ou desconfiasse de nada. Dois anos depois, já com quinze anos, começa a sua história de mentiras. Para os amigos ela diz que os pais e irmãs vivem em uma grande fazenda em Goiás, e que como sua madrinha se sentia muito sozinha ela decidiu lhe fazer companhia. É nessa época que conhece Léo (branco, primo da melhor amiga Lucia, ex-aluno de sua madrinha, estudante do primeiro ano de medicina e trabalhador), por quem se apaixona e vive um romance por vários anos. Por conta de suas mentiras ela tem muito medo que da reação de Léo caso o mesmo descubra sua origem negra e que possivelmente seus filhos sejam mulatos. É D. Marcela quem da o primeiro passo ao perguntar a Camila se Léo conhece toda a história, a menina conta sobre as mentiras e a madrinha a incentiva a pesquisar sobre os negros no Brasil, a origem e as dificuldades. Mesmo mais esclarecida ela não conta para Léo a verdade. Ao longo da história D.Marcela fica doente, ela é cardíaca e por conta disso se aposenta e muda-se com Camila para Santos em busca de repouso. Todavia ela morre quanto Camila esta com 21 anos e prestes a se formar como professora. Desolada Camila não sabe o que fazer sem sua amada madrinha e afundada em mentiras decide voltar para junto dos seus, pois sente saudades, “acha” que gosta deles e quer conhecer o sobrinho. Mas, agindo covardemente, abre mão de Léo com medo da reação do rapaz após todos esses anos de mentira, deixando-lhe apenas uma carta explicando tudo. Odette nos deixa com um sentimento de indignação e nos leva a refletir sobre como o preconceito surge, é criado. Camila nasceu em uma família negra, teoricamente deveria ser totalmente adversa ao preconceito , mas vendo como a mãe e irmãs são tratadas cria o preconceito dento dela mesma (com ajuda das próprias irmãs), tem medo de ser tratada da mesma forma e tenta fugir de todos os jeitos desse tratamento. As irmãs demonstrando inveja deixam claro que também não estão contentes com sua cor. Porém, é Camila quem consegue um emprego melhor, uma oportunidade de vida melhor, estudo e uma vida de regalias...Porquê? Mesmo voltando pra casa fica claro que ela não superou esse preconceito, ela “acha” que gosta da mãe que sempre a tratou com carinho, não enfrenta Léo e não conta a verdade aos seus amigos. O livro termina com Léo desnorteado, magoado e perguntando-se “E agora?”. Ficamos sem saber qual o final da história, nos resta apenas imaginar: Será que Léo realmente é racista e jamais se casaria com Camila diante da possibilidade de filhos mulatos? Ele nem ligaria para isso? Estava mais magoado com a mentira do que com a origem? Resta-nos apenas imaginar!

    2 curtidas

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    3.8 / 91
    • 5 estrelas30%
    • 4 estrelas29%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas7%
    • 1 estrelas2%
    Odette Castilho de Barros profile picture

    Odette Castilho de Barros

    Odette de Barros Mott (Igarapava, 24 de maio de 1913 - São Paulo, 23 de maio de 1998) foi uma proeminente escritora brasileira de ficção juvenil e infantojuvenil. Com mais de um milhão de exemplares vendidos e mais de sessenta títulos publicados, Odette foi uma das precursoras da literatura infantojuvenil no Brasil. Nascida em Igarapava, no interior de São Paulo, em 1913, mudou-se para a capital paulista ainda pequena. Tornou-se professora pelo Instituto de Educação Caetano de Campos e começou a lecionar no Colégio de Santana. Casou-se logo em seguida, aos vinte e quatro anos, com o antropólogo Leo Mott, tendo oito filhos, entre eles a historiadora e feminista Maria Lucia de Barros Mott. Desde muito cedo habituou os filhos com o gosto pela leitura e quando eles ainda eram pequenos começou a publicar histórias infantis pela Editora do Brasil, Vozes, Melhoramentos e Paulinas. O primeiro foi publicado em 1949, um livro infantil. Quando os filhos cresceram, sua escrita se adaptou para dialogar com o público que começava a entrar na adolescência. Os primeiros foram Aventura do Escoteiro Bila e A Montanha Partida, que primeiro foram lidos por seus filhos e depois pelos amigos. Quando foram finalmente publicados, eles agradaram a crítica e ao público. Em 1969, Odette publicou O Mistério do Escudo de Ouro e visitou colégios para conversar com alunos e professores em eventos literários, que começaram a perguntar o que ela achava sobre diversos temas como drogas, sexo e relacionamentos. Odette começou a ponderar sobre tais temas e se propôs a criar obras que dessem margem as essas discussões, que provocassem diálogo e abrissem novos horizontes. “ O homem de amanhã não deve ser apenas mais um número na massa, pois da sua metamorfose individual vai depender, em grande parte, a nova face deste planeta.” Odette chegou ao marco de um milhão de exemplares publicados apenas pela pela editora Brasiliense em 1981. Odette se correspondia frequentemente com alunos e leitores, que mandavam as mais variadas perguntas para a autora, a quem viam como confidente, professora e, até mesmo, como uma segunda mãe. Vários de seus livros foram traduzidos no exterior, para o espanhol, um deles para o alemão e um para o francês. Odette produziu por muitos anos, até bem perto de sua morte, na madrugada de 23 de maio de 1998, no Hospital São Camilo, na capital paulista. Seu corpo foi cremado no Crematório da Vila Alpina.

    53 Livros
    23 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Odette Castilho de Barros