Uma das coisas que mais gosto de fazer, quando o assunto é leitura, é ter uma experiência quase que totalmente às cegas. Pegar um livro que me pareça interessante e me aninhar com ele sem pesquisar uma coisa sequer, a fim de me deixar surpreender, seja positiva seja negativamente.
No caso de Corpos Divinos, a surpresa não poderia ter sido mais positiva.
Na trama, bem autobiográfica, acompanhamos a rotina de um escritor (e chefe de redação) de um jornal cubano. Suas idas e vindas pela noite e pelas mulheres cubanas (mesmo sendo casado), os momentos de bebedeira e também de trabalho, bem como seus encontros com grandes personalidades e sua militância política.
Aliás, falando em política, esse foi um dos pontos que mais me agradou. A trama se passa durante a Revolução Cubana. No entanto, é um assunto que, apesar de aparecer do início ao fim, não rouba em nenhum momento os holofotes do grande protagonista da obra: o cotidiano.
O livro me fez rir (como na ironia ao falar do encontro com Hemingway), me fez ficar apreensivo e, mais importante, me deixou absolutamente atento, como se, observando as palavras, estivesse eu mesmo em Havana, vendo tudo acontecer. Tudo isso temperado com jm protagonista que é sincero a ponto de não esconder nem mesmo seus vícios e imoralidades.
Sem dúvidas se tornou uma de minhas obras favoritas. Quero ler muito mais coisas do autor. Recomendo muito!